sábado, 31 de maio de 2008

Ciência e Fé

Ciência e fé
Esta semana mais uma batalha da longa “guerra” entre ciência e religião parece ter chegado ao fim no Brasil. Com o voto do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), prevaleceu no Plenário do Supremo a autorização do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas, sem restrições. Marco Aurélio argumentou que a vida pressupõe não só a fecundação, mas a viabilidade, "e essa inexiste sem a presença do que se entende por gravidez, ou seja, gestação humana". Ele destacou que o texto legislativo traz restrições ao uso de embriões, considerando apenas o uso de embriões produzidos por fertilização in vitro, inviáveis, congelados há mais de três anos e com o consentimento dos pais, que forneceram o material. Na opinião do ministro, a função dos ministros, neste julgamento é "definir o destino dos óvulos fecundados, que fatalmente seriam destruídos e podem, devem ser utilizados sempre na tentativa inesgotável do progresso da humanidade". (Fonte: www.adital.com.br) Não é de hoje que ciência e religião se estranham. Mas até que ponto a ciência pode interferir no que cremos? Prateleira relembra hoje uma entrevista publicada há 9 anos: “A compreensão científica não anula a visão religiosa, nem esta elimina aquela” que fala um pouco dessa conturbada relação a partir da teoria da evolução (onde tudo começou ou piorou). Clique aqui para ler a entrevista na íntegra. Leia o livro • Ciência, Intolerância e Fé Leia o que Ultimato publicou sobre o assunto • Criação e evolução, ed. 261
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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Encerramento da 57ª Semana Wesleyana

O último dia da 57ª Semana Wesleyana teve síntese crítica das palestras, culto com o Bispo João Alves e lançamento de CD histórico.


Publicada em www.metodista.org.br

Magali do Nascimento Cunha, professora da Fateo, fez uma avaliação das palestras da Semana, embasando seus comentários no pensamento de Richard Niebhur, teólogo americano que refletiu sobre a responsabilidade social das igrejas. “Minha liberdade tem que ter responsabilidade com o outro. Quando jogo o lixo na rua, contribuo com as enchentes que chegam às casas, porque os bueiros estão entupidos. Eu não vivo sozinha”, explicou a professora.
A palestrante também fez uma avaliação crítica a partir de algumas frases que foram ditas no decorrer da semana. Por exemplo: “Não é fácil convencer igrejas a se engajarem socialmente”; “Discurso bonito, mas práxis que não diz respeito a esse discurso”; “corremos o risco de vivermos nas igrejas, de vivermos o ensimesmamento (isolamento coletivo)”. As igrejas crescem e o cristianismo parece diminuir, reforçando suas divisões partidárias: progressistas versus conservadores; liberais versus consagrados; ecumênicos versus evangelicais, entre outros. Feita essa avaliação crítica da igreja, ela convocou a plenária a cantar a música Kyrie Eleison (Piedade de nós). Após o cântico congregacional, Magali destacou a missão da igreja que caminha de mãos dadas com o social, e traçou referências missiológicas como: “ganhar almas para Jesus deve significar ganhar dedicação às prioridades de Deus, que exige uma resposta. Arrependimento e conversão começam na própria igreja”. Portanto, “a pregação na igreja deve considerar o pecado social e a conversão social. Niebhur afirma que a igreja responsável é a igreja apostólica” acrescentou.

Ações responsáveis

Dentro dessa perspectiva a professora falou sobre a questão da ética cristã, “como uma necessidade de formar o caráter do cristão, necessidade de um comportamento especial na sociedade”. Foi mais além ao citar o texto do Evangelho de Marcos 8.11-26 “vocês tem olhos para ver e não vêem, ouvidos para ouvir e não ouvem...” É preciso ver a nossa realidade e denunciar o que não é da vontade de Deus.

Outros pontos destacados foram a necessidade de unidade entre cristãos(ãs) para o testemunho concreto da fidelidade de Deus; a dimensão política como busca de soluções que possam transformar a realidade das pessoas; a atuação política sem partidarismos; os conselhos sociais como um espaço onde a igreja possa testemunhar o amor de Jesus e somar esforços para o bem da comunidade.

Após listar uma série de temas que foram ditos na semana -- justiça econômica, superação da violência, direitos humanos, meio ambiente, educação entre outros -- ela destacou alguns que ficaram de fora – e fizeram falta -- na discussão. Dentre eles: consumo responsável, inclusão do idoso e pessoas com deficiência, situação prisional, o acesso à água e urbanização.

O Grande Julgamento
O culto de encerramento da Semana Wesleyana contou com uma encenação feita pos alunos da Fateo, enfatizando a responsabilidade de fazer o bem aos pequeninos, presos, pobres, marginalizados. A pregação do Bispo João Alves baseou-se no texto de Mt 25.31-46, intitulado pelos exegetas de “O Grande Julgamento”. Em um dos momentos de sua fala, o bispo salientou a urgência do trabalho da Igreja para dignificar a vida. Essa deve ser nossa meta, a do crescimento na santificação e no serviço: “A Igreja é peregrina e cresce quando sai de si mesma. É preciso ter ações embasadas em um crescimento de santificação, sem ser individualista. Precisamos trabalhar juntos”.
José Geraldo Magalhães Jr.
CD e livros lançados na Semana


Como nos anos anteriores, a 57ª Semana Wesleyana também contou com lançamento de produções da Editora da Faculdade de Teologia, a Editeo. Foram lançados mais dois exemplares das revistas Caminhando (nº 21) e Mosaico Apoio Pastoral (nº 41) e o livro com os conteúdos da Semana Wesleyana 2007 intitulado Mil Vozes para celebrar, sobre os 300 anos de Charles Wesley e sua contribuição à musicalidade das igrejas.

Foi lançado também o CD Mudança, trabalho de remasterização de um LP gravado plo coral da Fateo em 1984, o “Canto da Terra”. A reedição comemorativa traz canções que falam de justiça social e esperança e marcaram época nas igrejas metodistas: Xote da Vitória, Momento Novo, No Amor de Deus e Lavapés são algumas das composições para ouvir, cantar... e pensar.






Suzel Tunes
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Credo Social – uma proposta teológica

Credo Social – uma proposta teológica
Você sabe qual foi o primeiro Credo Social histórico? Ele está publicado no Antigo Testamento! Nesta quarta-feira o reitor da Faculdade de Teologia, Rui de Souza Josgrilberg, deu continuidade à Semana Wesleyana inspirado no tema: Credo Social – uma proposta teológica. “Há alguns fundamentos que às vezes esquecemos: por exemplo, somos humanos e parte da Criação de Deus”, disse o reitor. Para ele, a nossa autonomia não é para viver em torno de si, mas com o próximo. Essa é a razão de ser do Credo Social, uma contribuição como marca metodista e é também, uma contribuição para toda a sociedade.

A junção de “eu creio” e “nós cremos” é um aspecto fundante do ser cristão, ou seja, a proposta de recuperar o social na condição cristã é a dependência um do outro. A correlação nada mais é que relacionar-se com o outro, não existe o social e o pessoal, mas uma dependência recíproca.

O professor Rui citou também a Constituição da Igreja Metodista como documento maior de nossa igreja. Ele citou o Art. 3º nos parágrafos 1º e 2º, que descrevem sobre nossas doutrinas. Nessa perspectiva, ele diz que o Credo Social tem 4 itens:

1.A responsabilidade cristã é a Palavra de Deus. A Bíblia tem o povo, a sociedade e tudo que acontece como “pano de fundo”;
2. Testemunho de Wesley;
3.Unidade cristã e serviço comum que prestamos;
4.Contexto científico e tecnológico. “Vamos unir crença e máquina global há tanto tempo separada", afirmou.

Ele expôs as bases bíblicas para o Credo Social, mencionando a Trindade como percepção de que Deus está na humanidade. “O que está em jogo é uma dimensão cósmica. Só podemos ser salvo com o outro e não individualmente. Para entender a humanidade, é preciso estar enraizado com o outro no social, e romper o ensimesmamento envolvendo-se com o outro, o Reino e sua justiça”. Em sua definição de Reino, ele afirmou que é a “maior organização coletiva que está em nós e entre nós”.

O Senhorio de Cristo em sua concepção é “o Senhor da terra, das instituições e de toda a realidade. Ele é o Senhor das instituições. A mensagem evangélica não é somente uma mensagem para pessoas, mas uma mensagem social para o povo” . Citou o exemplo da Marcha pra Jesus que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas, mas não teve atuação social.

Certa vez, contou o prof. Rui, Wesley procurou um determinado “homem sério”, um conselheiro para lhe esclarecer sobre como servir a Deus e o caminho da salvação. O tal homem sério respondeu: “busque seus amigos, se não os tem, faça-os". “A salvação é entendida como processo da nova criação. Wesley percebeu que não podia ser cristão sem amigos, viver isoladamente, ou seja, a fé cristã é social. Esse é o pano de fundo que às vezes é esquecido”, destacou.

Muitas pessoas podem não saber qual é o primeiro Credo Social. Quem foi à palestra do reitor da Fateo não tem mais essa dúvida. O primeiro Credo Social está em Dt 26.5-10 .

José Geraldo Magalhães Júnior

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quarta-feira, 28 de maio de 2008

III Parte

Pensamento de João Calvino sobre o Credo Social
III Parte
Por José Geraldo MAgalhães Júnior

Perspectiva reformada a partir de Calvino e seu pensamento social foi o tema que o professor de História da Igreja na Fateo, Douglas Nassif Cardoso, levou à plenária. Ele começou dizendo que “o pensamento social de Calvino é pouco tratado na literatura dos reformadores”.
Douglas começou sua palestra destacando a importância de Guilherme Farel, um reformador francês, que ao desenvolver a reforma em Genebra ela foi de cunho político e religiosa. Já com dois anos de Reforma, em julho de 1536, João Calvino encontra Farel, que o convence a ficar no movimento e começa a desenvolver o projeto de igreja circunstancialmente. Na obra: “Dedicatória às Institutas”, Calvino afirma o respeito ao verdadeiro Rei como um verdadeiro ministro de Deus. A chave do pensamento de Calvino, segundo o professor, era que a política e a doutrina se completam.
Ao iniciar a reforma em Genebra ele inclui catecismo e uma profissão de fé. Era necessário a sociedade ser reestruturada. Para ele, a única instituição capaz de apontar os erros do Estado era a Igreja. Dentro dessa perspectiva teológica, Calvino desenvolve sistemas para evitar especulação de preço. Ele pede ao Conselho da Cidade que justifique, através de planilha, o por quê do aumento dos elementos básicos, inclusive o vinho.
Com isso, Calvino elimina a mendicância de Genebra através da política de sustento. Isso ocorreu de duas maneiras: a primeira delas era levar aqueles(as) que não tinham condições de sustento próprio para a agricultura e ali tirarem seu meio de sobrevivência. A segunda é que cabia aos diáconos visitar os lares e verificar nas despensas as necessidades básicas a serem supridas. Logo, Genebra passou a ser uma cidade de refúgio para os recentes na fé, principalmente os refugiados e vitimizados que precisavam ser recolocados nos campos de trabalho. Através do “bicho da seda” e do artesanato ele restabelece os oprimidos e desempregados à sociedade.
Nesse sentido, o trabalho passou a ser tratado como uma questão de culto e vocação
A questão do salário também foi explorada por Calvino. Ele se apresentava diante das cooperativas (sindicatos hoje) e reivindicava melhores salários. Em sua ideologia e teologia, se o empregador retivesse parte do salário do empregado, ele interferia dizendo que estava sendo tirado algo de Deus e não do empregado. Os pastores de Genebra, sob a orientação de Calvino sentavam-se às mesas com os empregadores para reivindicar salários justos. Enfim, Calvino baseava no cotidiano para suprir as necessidades sociais das pessoas.
Meio Ambiente

No momento das perguntas feitas por alunos, a questão do Meio Ambiente veio à tona. O professor José Carlos lembrou o tema que já foi abordado pela 51ª Semana Wesleyana e resultou no livro: Meio Ambiente e Missão: a responsabilidade ecológica das igrejas. Mas não parou por aí: “Todas as igrejas têm um desafio enorme com o cuidado com o meio ambiente, usos sustentáveis dos meios da terra”, disse ele. Concluiu dizendo que repensar o Credo Social numa perspectiva ecumênica envolve a responsabilidade ecológica das igrejas. Se as igrejas querem levar a sério sua missão, não podem deixar de debater sobre o meio ambiente. Do ponto de vista wesleyano, todos nós somos cuidadores da criação de Deus.
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II Parte Credo Social

Raízes do Credo Social de Wesley até o século XIX

II Parte
Rauschenbusch e Wesley

Esses dois teólogos têm elementos comuns quanto à compreensão desantificação. Ambos viveram grandes mudanças estruturais. O século XVIII foimarcado pela fase de mudança industrial, ou seja, é um período de transição histórica. AInglaterra deixou de ser uma sociedade rural, agrícola e tradicional, sendo substituídapelas máquinas como símbolos daquilo que se chama civilização industrial. Por outrolado, junto com as máquinas veio a exploração do trabalho de mulheres e crianças. Já osmeios de produção estavam concentrados nas mãos de poucos.

Os Estados Unidos também foram palco de grandes mudanças no século XIX. Após a Guerra de Sucessão (Guerra Civil norte-americana) e até o fim da I GuerraMundial houve uma expansão muito forte do capitalismo sem empecilho algum. Isso pode ser exemplificado com o surgimento de novas organizações empresariais de grandes corporações, monopolizando o poder. Com isso, também houve um crescimento demográfico rápido e desordenado. Logo, os EUA recebem migração de diversos lugares do mundo. Ambos se defrontaram com as igrejas despreparadas com os desafios de seu tempo. As regras eram prisioneiras da ideologia dominante. Isso justificava um duplo contraste social.

Segundo o professor José Carlos, tanto Wesley como Rauschenbusch descobrem, junto ao povo pobre, a face de Deus como fonte de toda teologia. Ele citou o texto de Lucas 4 e Isaías 61. Wesley encontrou o povo em Bristol, 1739, ao ser convidado por Jorge Withfield a pregar ao ar livre. Para os dois, a salvação é social: ninguém poderia ser salvo isoladamente, mas na e com a sociedade. Segundo o palestrante, “eles descobrem o tema do Reino de Deus, são coerentes em sua prática missionária, pois naquela época preocupavam-se com a escassez de alimentos. A conseqüência do Evangelho Social se fez sentir em todas as denominações”.
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