sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Igreja de nudistas? Xiiii...

Jamais pensei que isso iria acontecer algum dia, mas... Vejam o que foi publicado no site do G1 essa semana.

Igreja nos EUA faz cultos para nudistas
Até o pastor reza como veio ao mundo na igreja, no estado da Virgínia.
Igreja de nudistas no estado americano da Virgínia. (Foto: BBC)
Da BBC
Uma igreja no Estado americano da Virginia (nordeste dos Estados Unidos) está causando polêmica ao receber fiéis nus. Até o pastor celebra o culto como veio ao mundo.

Na capela de Whitetail - uma comunidade nudista fundada em 1984, na cidade de Ivor, roupas são um item opcional.

"Eu não acredito que Deus se importe com a maneira como você se veste quando você faz suas orações. O negócio é fazer as orações", diz Richard Foley, um dos frequentadores.

Assista o vídeo abaixo:


Mas, entre os que não fazem parte da congregação, a ideia de uma igreja nudista não agrada muito. Várias pessoas ouvidas nas ruas de Ivor se surpreenderam e disseram achar o conceito de uma igreja nudista desrespeitoso.

O pastor Allen Parker discorda: "Jesus estava nu em momentos fundamentais de sua vida. Quando ele nasceu estava nu, quando foi crucificado estava nu e quando ressuscitou, ele deixou suas roupas sobre o túmulo e estava nu. Se Deus nos fez deste jeito, como isso pode ser errado?"

Lucro
A comunidade nudista de Whitetail vai de vento em popa apesar dos tempos de crise. Segundo a administração do resort, mais de dez mil pessoas visitaram o local no último ano e os lucros subiram 12% no período.

Os visitantes dizem que ser nudista é algo libertador. Para eles, em um ambiente como este não há julgamento de classe social e todos ficam livres para ser quem realmente são.

Além disso, o clima seria de igualdade. Um frequentador exemplificou isso dizendo que, na comunidade, não é possível dizer quem está desempregado, quem é alto-executivo e quem é encanador.

"Aqui, todos participam, todos são compreensivos e preocupados com a comunidade e com a família. Temos uma das congregações mais ativas da região. Eu considero isso um presente de Deus e um privilégio", disse o pastor Parker.
Fontes:G1 e BBC via Blog do Genizah
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Os passos da juventude...


Os passos da juventude na bíblia, nas origens metodistas, no contexto brasileiro e norte-americano.
Pr. José Geraldo Magalhães Júnior[1]
1 Na Bíblia[2]
Impossível mencionar sobre a juventude, sem citar a Bíblia. O livro de Juízes no capítulo 6, versos 11 a 16 nos relata a história do jovem Gideão. A Bíblia o descreve como um varão valoroso, que viveu em uma época difícil para o povo de Israel (vs.1-6). Foi um período de servidão dos israelitas aos medianitas, que por sua vez, era um povo que conhecia outros deuses (v.2). Deus interessado em resolver a situação do povo de Israel, envia um anjo a falar com Gideão, quando ele trabalhava no campo de seu pai (v.11). O anjo disse-lhe: “O Senhor é contigo, varão valoroso. Mas Gideão responde dizendo: Mas se o Senhor é conosco, por que nos aconteceu todo este mal?” (v.12s).

Não é de surpreender a preocupação de Gideão, pois muitas vezes também é a nossa. Se Deus está conosco, por que todas essas dificuldades diante do povo? Será que Deus olha somente para uns e esquece-se de outros? Mas Deus nos surpreende em sua resposta. O texto continua com a resposta de Deus: “Vai, nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas” (v.14). Um dos aspectos interessantes desse texto está exatamente em Deus ver que Gideão tinha em si força para livrar seu povo. Deus estava trazendo para Gideão a solução para o problema do seu povo, como prova inequívoca de que Deus ainda era com eles.

A juventude é a força motriz das sociedades. E Gideão não fugiu à regra: jovem que era, foi chamado para libertar seu povo. “Vai nesta tua força.” Deus estava se referindo na força espiritual, força interior. Deus viu em Gideão a FÉ. Uma fé que traz mudanças, uma fé capaz de remover montanhas. Provavelmente foi isto que Deus viu em Gideão, e que continua vendo na juventude de todo o mundo, aliás, também nas mulheres e homens de uma maneira geral.

Deus viu em Gideão fé e coragem moral de dizer NÃO à corrupção, à violência, às drogas, ao sexo irresponsável e às injustiças. Será que na juventude de hoje, existe essa mesma força? A juventude é esperança para um mundo mais livre, justo e igualitário, pois a nossa fé pode impregnar a humanidade com tais valores. No entanto, é preciso desenvolver essa fé; aumentar o conhecimento para que, o percurso da vida, às vezes nada agradável, não ofusque as convicções de mudança.

A Bíblia é palavra de Deus que, se faz esperança àqueles(as) que se encontram sem uma perspectiva de vida. Jesus deixa um exemplo claro para os discípulos, que estavam sem visão, sem rumo, no caminho de Emaús (Lc 24:13-35). Jesus se faz próximo, escuta a tristeza dos dois homens que caminhavam cabisbaixos. Uma pergunta do nada: “que é isto que vos preocupa à medida que caminhais?”, em contrapartida, uma resposta de perplexidade: “És o único que estando em Jerusalém ignoras as ocorrências desses últimos dias?” (17-18). Jesus escutou (19-24) e em contra-resposta, surge o convite inesperado: “fica conosco” (29). A conversa que fez aqueles homens enxergarem foi ao redor da mesa: na eucaristia, no partir do pão! Jesus se faz próximo dos sem identidade, pergunta pela vida, escuta, relembra a história, renova o compromisso com a fé na vida e, sobretudo, reinstala a prática da partilha.
A Bíblia fornece vários exemplos, onde a juventude é vocacionada de uma maneira especial por Deus. O chamado vocacional, tanto no AT como no NT, acontece em muitos casos a pessoas jovens ainda. Por exemplo: Jacó (Gn 28.13-17), Moisés (Ex 3.1 a 4.17), Samuel (ISm 3.1-21), Isaías (Is 6), Jeremias que disse não passar de uma criança (Jr 1.6), Rute (Rt 1.16), Maria (Lc 1.26-38) entre vários outros. No entanto, é preciso destacar a vocação do jovem Timóteo, que viveu uma realidade parecida com a nossa. Primeiramente porque ele conheceu Jesus através de Paulo, não pessoalmente; tal qual é também a nossa experiência. Em segundo lugar, ele tinha um relacionamento com a igreja de mais perto e, nessa época a mesma começava a configurar-se em dons e ministérios. E por último, Timóteo foi um discípulo de Paulo sendo considerado seu próprio filho (I Co 4.17 e Fp 2.19-20). Portanto, fiel a Deus e a missão[3].

1.1 Em nossas origens: John Wesley e o movimento metodista[4]
"Se teu coração é como meu, dá-me tua mão.” - John Wesley
Trabalhadores cumprindo uma carga horária de 16 horas por dia, um país que estava atravessando uma tamanha crise social. Eram mineiros e operários trabalhando por um salário de fome e miséria. Não pára por aí, havia também milhares de crianças trabalhando e morrendo de chagas e frio. Por outro lado, a nobreza, aquela que estava dominando os menos favorecidos, dominando-os com um único objetivo: que a classe desprotegida e pobre, fosse os meios de produção da nobreza.
Essa era a Inglaterra no século XVIII. As classes populares eram grosseiras e ignorantes e desordenadas, pois havia herdado as agitações políticas do século anterior, com isso uma elevada tendência aos alvoroços. Mas não era somente isso, Mateo Lelièvre[5], ao escrever sobre a vida e obra de John Waley, ele descreve sobre a classe popular:
O vício e a embriaguez era notório no meio da classe popular. Meio século depois de ter sido introduzido o gim, os ingleses consumiam mais de 30 milhões de litros por ano. Nos cartazes à entrada das tabernas, as pessoas eram convidadas a entrar e embebedar-se por duas moedas e a beber até cair no chão por quatro; e recebiam gratuitamente a palha para dormirem. Os vendedores de gim costumavam levar ao sótão os que ficavam embriagados, sem possibilidade de caminhar, para dormirem até passar a crise do álcool. Não se podia andar pelas ruas de Londres sem se encontrar com seres abjetos, inertes e desacordados no chão; só a caridade dos transeuntes os salvava de morrer afogados na lama ou esmagados pelas rodas das carruagens.
No ano de 1736 uma em cada seis casas de Londres era uma taberna. O governo tentou proibir a venda do gim, mas em todas as partes da Inglaterra havia um comércio clandestino organizado, onde, seus representantes jogavam no rio aqueles que se atreviam a denunciar. Essa atitude era tão ameaçadora, que o governo teve que revogar a lei.
Assim, em um contexto de exploração e crise social na Inglaterra surgiu o Movimento Metodista. Aconteceu na Universidade de Oxford. Um grupo de estudantes preocupados com aquela situação vivenciada na Inglaterra, sob a liderança dos irmãos e John e Carlos Wesley, passaram a se reunir para a prática da piedade cristã. Eles realizavam leituras da Bíblia, oravam, jejuavam e visitavam os presos e doentes.
João Wesley nunca teve a intenção de deixar sua igreja para fundar outra, mas iniciou uma prática, com o objetivo de renovar o espírito cristão daqueles que participavam da religião oficial que era o anglicanismo. Seus métodos e práticas levaram o grupo a ser conhecido como "Clube Santo". Eles tinham uma identidade, por exemplo: dias fixos para praticar o jejum, hora certa de ler a Bíblia, orar, uma vez na semana separavam o dinheiro do lanche para ajudar aqueles que precisavam, entre outras. Com isso, esse grupo foi apelidado de “Metodistas”, ou seja, aqueles que seguem um método.
A expressão criada por João Wesley: “O Povo Chamado Metodista”, ecoa até hoje! Uma comunidade religiosa representada em mais de cem países, os metodistas segue o pensamento de Martinho Lutero, o líder da Reforma Protestante do século XVI.
John Wesley[6] nasceu no ano de 1703 numa pequena cidade da Inglaterra, Epworth, onde seu pai, Rev. Samuel Wesley era pastor e, sua mãe Suzana Wesley filha de pastor. Talvez por essa razão, tornou-se clérico da Igreja Anglicana. Aos 11 anos, Wesley foi estudar em uma escola pública de Londres como aluno interno: a Charterhouse. Não demorou muito para adquirir grande conhecimento no latim e grego. Isso o beneficiou muito, para seu ingresso aos 17 anos na Universidade de Oxford, onde concluiu seus estudos teológicos e decidiu pelo ministério pastoral.
Apesar de grande conhecimento em Bíblia, pois lia os originais em hebraico e grego, ele tinha uma dificuldade que era uma carência espiritual. Sua igreja era um pouco fria e não desafiava às pessoas a mudarem de vida. Daí a procura de resolver sua carência espiritual sendo missionário na América. Lá ele passou mais de dois anos, embora sem sucesso, mas, para o Rev. Duncan A. Reily, as diversas ocorrências durante esse período justificam a designação da Geórgia como um “momento decisivo” para o metodismo. Reily cita em “Momentos Decisivos do Metodismo”[7], o saldo de dois anos e a frustração de Wesley registrado em seu diário em 24 de janeiro de 1738, poucos dias antes de retornar à Inglaterra:
Fui à América para converter os índios; mas quem, ó quem, se converterá a mim? Quem ou o que me livrará desse coração discrente? Eu tenho uma bela religião de verão. Posso andar bem, e até crer, quando nenhum perigo está perto. Mas quando me encontro cara a cara com a morte o meu espírito fica conturbado. Não posso declarar o morrer é lucro.

Chegando à Inglaterra, um líder moraviano, Pedro Bolher, deu vários conselhos para Wesley. Conhecidos pela grande confiança em Deus e na Graça redentora de Jesus Cristo, os moravianos, em muitas oportunidades de conversas com Wesley, convenceram-no a receber a graça e o perdão, ou seja, uma das bases teológicas do Movimento Metodista: a fé salvadora.
Para ter acesso ao artigo completo, ou seja, os Jovens no ínicio do metodismo, a juventude na igreja metodista e no contexto norte-americano início do Movimento Metodista, Na Igreja Metodista e no Contexto Norte-americano CLIQUE AQUI para baixá-lo em PDF.
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[1] Pastor metodista em Vila Planalto, São Bernardo do Campo, SP. Para o exercício de 2010 foi nomeado pelo Colégio Episcopal para juntar-se a equipe de Assessoria de Comunicação da Igreja Metodista em São Paulo.
[2] Bíblia Sagrada / Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
[3] Pastoral da Juventude IVRE. Sonhos e Esperanças no Caminho: Reflexões para o desenvolvimento de uma Pastoral da Juventude Metodista. Belo Horizonte, 2000. pg. 64.
[4] REILY, Duncan Alexander. A influência do metodismo na reforma social na Inglaterra no século XVIII. Junta Geral de Acão Social da Ig. Metod., 1953. 18pg
[5] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley sua Vida e Obra. 1ª ed. São Paulo, 1997, pg.13.
[6] http://www.metodista.org.br/ . Pesquisa on-line realizada no dia 10/10/2007.
[7] REILY, D. Alexander. Momentos Decisivos do Metodismo. São Paulo, Imprensa Metodista, 1991. (Col. Metodismo).

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Direitos Humanos - PNDH-3


Declaração do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3
Como metodistas, em nosso Credo Social afirmamos que cremos que “a verdadeira segurança e ordem sociais só se alcançam na medida em que todos os recursos técnicos e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana, na efetiva justiça social”,[1] pelo que “adotamos a Declaração Universal dos Direitos Humanos”.[2]

A Declaração Universal dos Direitos Humanos compromete-nos com princípios, dentre os quais muitos se encontram no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH - 3). Neste sentido valorizamos a iniciativa do governo em aperfeiçoá-lo, a fim de que os princípios estabelecidos na lei sejam reconhecidos na vida social de maneira efetiva. Preciosos avanços são constatados no PNDH-3.

Expressamos, ao mesmo tempo, nossa preocupação e desacordo com alguns itens deste Programa que se contrapõe ao que cremos ser o melhor para a promoção da vida. “Seja a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”(Jesus em Mateus 5.37) Nesta direção nos unimos a outros pronunciamentos, por entender que se faz necessário discernir melhor temas como os ligados à famí­lia, sexualidade e religiosidade, de forma a considerar de maneira significativa os valores essenciais do Evangelho e dos Direitos Humanos.
Esta é a nossa percepção neste momento em que muitas vozes se levantam diante do PNDH-3. São Paulo, 18 de fevereiro de 2010.
BISPO JOÃO CARLOS LOPES Presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista
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1. Credo Social da Igreja Metodista, II.10b, em Cânones 2007, São Paulo, 2007, p. 51
2. Credo Social da Igreja Metodista, IV. 4, em Cânones 2007, São Paulo, 2007, p. 55


FONTE: www.metodista.org.br
Conheça o PNDH-3 CLICANDO AQUI!

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Ética Ecológica


DUSSEL, Enrique. Por um mundo diferente: alternativas para o mercado global. Petrópolis: Vozes, 2003. Capítulo 2 “Alguns princípios para uma ética ecológica material de libertação” – relações entre a vida na terra e a humanidade”. pp.23-35.

Conhecido na América Latina por suas obras nos campos da História da Igreja e da Ética, Enrique Dussel, é um argentino que vive no méxico há várias décadas. Teólogo católico leigo, escreveu vários artigos e livros nessas duas áreas, realizando seus estudos em várias universidades da europa e doutorou-se em Paris, na França.
Este artigo de Enrique Dussel está situado numa perspectiva de uma Ética da libertação. Para o autor a Terra não pode ser destruída, mas sim a vida que nela está contida. “A vida é condição absoluta da existência humana, e por isso a Vida da Terra se chama condição ampliada. Na realidade, a terra não pode ser destruída, nem tampouco a Natureza (...) o que nela pode ser destruída são as condições para a existência da Vida” (p.25). Neste caso, entende-se que a Vida pode ser destruída na Terra.
O autor interpreta a ética material como a ética da vida e, sobretudo, ele assume a ética material que “é necessária, mas não suficiente”; e a moral formal que “é necessária, mas tampouco suficiente” dentro de um processo crítico libertador em um movimento social, histórico e diacrônico. Nesse sentido, o autor afirma que:
Isto têm a máxima atualidade, porque a destruição ecológica (como condição de possibilidade) e a pobreza (como efeito) são dois fenômenos correlacionados que têm uma mesma causa e, ambos exigem uma compreensão material e, simultaneamente, a mediação da consensualidade formal e comunitária. (p. 26).
Podemos perceber então, que a ética ecológica tem a ver com a defesa da vida, fica situada de tal forma que não poderá ser satisfatoriamente fundamentada. Assim, Dussel aponta que a tradição dualista, “de decidida negação da determinação material da ética, o cuidado angustioso, para conservar a vida não tem significado ético-moral algum; a ética é considerada apenas como mero egoísmo ou motivação patológica ou caprichosa” (p.27).
O autor afirma ainda que é preciso recuperar a referência material, uma vez que, tais fatos só podem ser descobertos por contradição ou não-cumprimento. Por essa razão, é necessário reconstruir a verdade de uma ética material e articulá-la a uma moral formal, “tendo como horizonte a destruição ecológica da terra articulada concomitantemente com a miséria, a pobreza, a opressão da maioria da humanidade (levando-se em consideração fenômenos tais como o capitalismo central e periférico, o racismo, o machismo etc.)” (p.27). Por isso a passagem de Mateus “tive fome e me destes de comer (Mt 25.35) inclui exigências de ética material: a fome é um tipo de sensação e dor, e a comida é fruto do trabalho e da terra”. (p.27). “A dimensão ecológica ficaria assim definida material (como condição absoluta de sobre-vivência) e formalmente (como é preciso decidir intersubjetivamente no plano privado e público, nacional ou internacionalmente) (p.28).
Dussel realiza uma última reflexão material embasado em Karl Marx. Diz o autor que “Marx é considerado por muitos um economista ‘antropocêntrico’ sem sensibilidade ecológica. Podemos, contudo, recordar a esse respeito um texto de 1875:” (p.28) Vejamos:
Primeira parte do parágrafo [do programa de Gotha afirma]: O trabalho é a fonte (Quelle) de toda riqueza e de toda cultura. O trabalho não é a fonte de toda riqueza – começa a explicar a Marx. A natureza é a fonte de toda riqueza é a fonte dos valores de uso (que são os que realmente integram a riqueza material!), precisamente o trabalho, que não é senão a manifestação de uma força natural, da força de trabalho do homem. (p.28).
Nesta citação acima, Marx quis dizer que somente dois níveis da realidade não têm valor de mudança (econômica), ou seja, a natureza e o ser humano. “O que o ser humano procura honestamente é um sistema cultural vigente, um bem que é válido, ecologicamente sustentável (que deve ser conteúdo ético material e mediação racional consensual formal)” (p.30).
Dussel afirma que o capitalismo atual, segundo a visão de Marx, com seu critério fundamental de “aumento de taxa de lucro”, implicitamente propõe o seguinte princípio: “Aquele que age segundo o critério do “aumento da taxa de lucro” já propôs sempre a priori que nem o princípio ético material da sobre-vivência nem o princípio moral formal de consensualidade podem ser obstáculos ou limites para a obtenção desta finalidade”. (p.32).
Assim, entende-se que “o critério de taxa de lucro” se opõe ao critério de sobre-vivência; portanto, a tecnologia destrutiva da vida ou da terra e, conseqüentemente da humanidade, é usada instrumentalmente no critério ‘“do aumento da taxa de lucro’, e não com base no critério material da ‘permanência e desenvolvimento da vida’, da terra (ecologia) e da sobre-vivência da humanidade”. (p.33).
Por último, Dussel destaca que “um projeto de libertação ecológica da terra deve saber integrar os princípios materiais da ética, a consensualidade formal comunitária da mútua consciência, com o processo diacrônico co-solidário de toda a humanidade” (p.35). Neste caso, “as Igrejas são um desses últimos ‘recursos’ éticos dessa humanidade, como comunidade de comunicação moral que cria intersubjetividade responsável na leitura e releitura do Texto revelado, insubstituível na hora atual” (p.35). Uma das condições que o Reino de Deus inclui para que haja possibilidade de Vida na Terra, é a vida da Humanidade, ou seja, é preciso mudanças e um novo caminhar.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Desafio do Mundo Moderno


Resenha do capítulo IV Fundamentos da Ética Cristã: O Desafio do Mundo Moderno

O presente artigo trata da questão da ética cristã a partir do no século XVI que, era obrigada a confrontar dois grandes desafios: os novos modos e possibilidades de conhecimento; e a noção generalizada a qual os valores fundamentais da vida só podiam ser determinados pela razão, livre da tutela da revelação. Do ponto de vista da razão, quase tudo que o cristianismo afirmava sobre Deus e a vida humana era inevitável e, portanto, duvidoso.
Já no século XVIII a ética cristã passou por uma fase de retratação frente ao avanço das tendências racionalistas e procurou simplesmente preservar certo respeito às classes superiores. Nessa mesma época, essas classes estavam empenhadas em criar um novo sistema políco-econômico: a sociedade industrial, que revelaria um total desrespeito a dignidade humana.
Os séculos XIX e XX foram fecundos em realizações e teorias em todos os setores da vida humana. No entanto, quanto ao seu progresso moral da sociedade humana, foi ambivalente e contraditório.
Hoje o conhecimento do mundo natural é imenso e continua crescendo; mas a possibilidade de destruirmos a nós mesmos e o planeta Terra é mais real do que nunca. O desafio que o mundo moderno lança a fé e a vida cristã é contundente e incontornável. Neste caso, é uma prova de fogo para que a ética cristã redefina suas verdadeiras prioridades.
O autor afirma que a partir do interesse pelas ciências, que Descartes escreveu o Discurso sobre o método, publicado em 1637, para expor seu modo de pesquisa da verdade. Apesar de reconhecer a importância da experiência científica, o interesse primordial de Descartes não era estudar o universo como tal, mas a maneira como método científico, objetivo, permite acesso ao conhecimento da realidade.
Descartes argumenta em favor de certo ceticismo básico como condição preliminar da reflexão sobre a realidade. Propõe que toda investigação seja acompanhada de “dúvida metódica” e que a reflexão seja feita somente na base daquilo que for incontestavelmente certo e acima de dúvida.
Na opinião de Descartes, somente dessa forma, se poderia avançar, por meio de sucessivas deduções, até se chegar a um conhecimento mais profundo da realidade. Portanto, Descartes, constata que em qualquer percepção do mundo requer não somente experiência sensorial, mas também reflexão.
Já em 1748 o filósofo escocês David Hume publicou Ensaio sobre a compreensão humana, que ele se coloca na posição de uma pessoa razoável e cordata que deseja honestamente saber se os frutos do seu pensamento podem ser considerados conhecimento seguro. Hume rejeita o método cartesiano.
Hume, então, propunha um método mais simples para desencravar a filosofia moral: admitir que todas as nossas idéias dependessem de sensações ou de lembranças de sensações; são parcas reproduções da realidade.
Na filosofia de Hume, fica evidente seu desinteresse em experimentos científicos. Ele não esperava que esses contribuíssem para ampliar o conhecimento humano. Hume subestimava a importância da pesquisa como meio de se chegar à certeza científica. Hume, como afirma J. R. Lucas, acreditava que o ser humano apenas desempenhava um papel passivo no processo do conhecimento. Ele não leva em conta que é preciso agir, fazer certas coisas, para descobrir conexões de causalidade no mundo que nos envolve e especialmente entender o que pode ser verdade e o que não pode.
Apesar disso os argumentos de Hume causaram um impacto definitivo na maneira de pensar do nosso tempo. O nosso raciocínio sobre as realidades do mundo não traz nenhuma garantia de certeza absoluta; e que a razão humana não pode fornecer um fundamento absoluto para as afirmações da ciência, e muito menos da moral da religião. Nesse sentido, Hume foi quem estabeleceu, segundo o autor, a relatividade do pensamento moderno.
Em sua conclusão, o autor defende a idéia que vários avanços da ciência física levantam inevitavelmente duas questões que tem óbvias implicações teológicas e éticas. Uma é saber se ainda faz sentido falar de ordem no universo, e outra se o universo encerra algum significado personalista.
A primeira questão merece uma resposta afirmativa. O princípio da incerteza, ou da casualidade, não compromete a ordem do universo, embora a torne mais complexa. Alguns cientistas assinalam que, a partir dos primeiros instantes da expansão do universo, as energias em jogo teriam de operar em limites muito rígidos se um dia a vida inteligente deveria surgir.
É verdade que a ordem do universo é ao mesmo tempo complexa e bela. Se nosso conhecimento atual do universo físico comporta a idéia da livre cooperação de seres racionais com um suposto desígnio criativo superior, que noção de Deus isso implica? Nesse sentido, o autor enfatiza o falar de um universo governado por um Deus pessoal.
Por outro lado, segundo o autor, há pelo menos um teólogo de envergadura que pensa o contrário: James M. Gustafson, que consagrou a maior parte de sua vida à ética teológica, chegou à conclusão que os cristãos ainda não levam suficientemente a sério aquilo que hoje conhecemos sobre a realidade do universo e, que continuamos a usar a Palavra de Deus como referência aos poderes do universo que consideramos necessário para explicar a existência humana.
Existe, no entanto, [afirma o autor] uma alternativa radical à posição de Gustafson: não há nada ilógico em imaginar um relacionamento entre Deus e o universo, e afirmar que todos os fatos do universo são resultado direto da vontade criadora de Deus, que o universo como um todo existe em virtude dessa vontade e que cada movimento ou impulso no universo opera segundo essa vontade.
Tal linha de pensamento não seria não seria necessariamente determinista desde que se leve em conta que a vontade divina inclui também a liberdade dos seres humanos; e nem seria panteísta, no sentido de identificação entre Deus e a Criação, considerando-se que o Deus que exerce sua vontade absoluta na criação permanece senhor da criação.
Este pensamento nos permite afirmar que, se a vida humana tem um propósito, ele só faz sentido no quadro geral do propósito de Deus para a criação como um todo; ou teologicamente, se a vida obedece a um propósito redentor, este só fará sentido se a vida estiver em um propósito de redenção.
Obviamente que o autor enfatiza ao dizer isso, uma afirmação de fé, articulada da perspectiva de uma teologia da salvação em Cristo, ou seja, à luz de uma experiência salvífica pessoal. Somente a experiência da redenção pessoal pode corroborar de que a redenção é também o alvo de toda a criação.

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Bonecos Heróis da fé: Jesus, Davi...

"Santa invasão, Batman! O reinado do Homem-Morcego, Ben 10 e outros super-heróis que fazem a cabeça da garotada está ameaçado. Uma novidade chega ao mercado dos brinquedos: os bonecos Heróis da Fé. São representações de Jesus Cristo, Davi, Sansão, Moisés e outros personagens bíblicos que agora podem cair nas graças e nas mãos das crianças". Será essa uma brincadeira que caiu do céu? Como se não bastasse o mundo do mercado religioso que nos deparamos, agora temos os Heróis da Fé. Achei os bonecos interessantes e bem acabados. O motivo desta postagem é justamente para ver as reações das pessoas relacionado aos produtos.
Em minha opnião percebo os prós e contras. Temos por um lado personagens bíblicos que facilitam o contato das crianças com os personagens e com as mais belas histórias da bíblia; não motiva a violência, pois eles não vem armados com espadas, metralhadoras, revólveres... a não ser Davi que, como já conhecemos a história traz consigo uma espécie de estilingue com uma pedra para derrubar o gigante Golias. O próprio Jesus que cita alguns versículos (em português e numa voz audível) também conta algumas histórias.
Por outro lado, creio que não é qualquer criança que pode desfrutar desses brinquedos bíblicos, pois o preço parece ser acessível somente para a elite de Jerusalém: R$ 79,90 cada.
Abaixo postei algumas fotos, mas se deseja saber mais sobre os bonecos Heróis da Fé acesse http://www.brinquedosheroisdafe.com.br/.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sites de relacionamento:


Sites de relacionamento: Quais as implicações e riscos?
3/2/2010 - 10h29m
Uma reunião do Fórum Econômico Mundial realizado no final de janeiro conseguiu a proeza de colocar pela primeira vez na mesma sala para uma conversa os dirigentes dos sites de relacionamento Facebook, Tweeter, MySpace, Linkedin, Ning, entre outros. Eles dialogaram por duas horas sobre a crescente influência das redes sociais.

Não falaram de aspectos psicológicos (falta de verdadeiras e íntimas amizades e dificuldade para estar consigo mesmo para reflexão profunda, por exemplo) nem se aprofundaram nas mazelas sociais da humanidade (e os 5 bilhões sem acesso à internet?), mas trouxeram luz sobre um fenômeno cada vez mais intenso para esta geração, que chega a passar 5 a 6 horas por dia nas mídias sociais (mais que isso, só o tempo que passam dormindo!). Informaram que nos últimos 12 meses as pessoas passaram a colocar 3 vezes mais do seu tempo e energia nesses sites, que misturam páginas de conteúdo (bem mais “democrático”? o novo jornalismo?), o email e o chat. Veja abaixo alguns dados mundiais, o vídeo do encontro e alguns links sobre um outro lado da discussão sobre as redes que agregam e conectam pessoas em torno de tópicos, interesses e paixões.

Segundo a organização de pesquisa Forrester Research, presente ao encontro: 7 dos 15 sites mais acessados no mundo são redes sociais. Twitter: 25 milhões de visitantes únicos por dia, estável nos últimos 6 meses; Facebook: 130 milhões de visitantes únicos por dia, crescente nos últimos 6 meses; MySpace: 50-60 milhões de visitantes únicos por dia, declinando nos últimos 6 meses; LinkedIn: 15 milhões de visitantes únicos por dia, crescente nos últimos 6 meses; Ning: 6 milhões de visitantes únicos por dia, declinando nos últimos 6 meses. Dos que consultam redes sociais diariamente: 27% têm de 18 a 24 anos; 24%, 25 a 34 anos; 18%, 35 – 44 anos; 12%, 45 – 54 anos; 9%, 55 – 64 anos; 6%, 65 ou mais. Acredita-se que, entre os menores de 18 anos, mais de 50% estão diariamente na Rede.

Assista aqui o vídeo do encontro (em inglês)



A discussão, brilhantemente moderada por Loïc Le Meur, fundador do Seesmic, priorizou dar respostas a três indagações propostas pela organização: 1. “Como as redes sociais estão mudando a sociedade?”; 2. “Quais as mais importantes implicações e riscos para a sociedade?”; 3. “O que os indivíduos e as instituições devem fazer para alavancar o poder das redes sociais e melhorar a sociedade?”

A seguir duas reflexões menos pragmáticas sobre as redes sociais (em inglês):
A solidão em números – por Lane Wallace
Falsa Amizade – por William Deresiewicz

Os dados sobre o engajamento de quase 1/4 da população mundial (no Facebook são 350 milhões) impressionaram até o papa que, recentemente, estimulou seus fiéis a entrarem na rede e influenciarem pessoas. Não deixa de ter razão. É mesmo uma oportunidade para o compartilhamento de conselhos bíblicos. Mas deve ser usada com equilíbrio e consciência de suas limitações, e até de suas implicações negativas. (por Lenildo Medeiros).

Fonte: www.agenciasoma.org.br
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Posse pastoral em SBC - SP

Prezados(as) leitores(as)!
Esta postagem é sobre o Culto de posse pastoral no domingo, 31 de janeiro de 2009, na Igreja Metodista em Vila Planalto, São Bernardo do Campo - SP. Não posso deixar de expressar minha gratidão, e carinho para com os(as) irmãos(ãs) desta comunidade que, se dedicaram e prepararam uma receptividade para o corpo pastoral, em especial ao Pr. Oswaldo Contiere que conduziu a cerimônia.
Um dos momentos marcantes na ocasião foi a entrega do livro de Registro de Rol de Membros pela irmã Haidê, uma das mais idosas da comunidade. Agora, nos resta assumir o desafio de nutrir à comunidade com um alimento sólido e rico que é a Palavra de Deus.
Se você reside em São Bernardo do Campo e deseja conhecer essa Igreja abençoada por Deus, ela está localizada na Rua Cincinato Braga, esquina com a Álvaro Guimarães, próximo ao nº 870. Você sempre será bem vindo(a) em nosso meio. Ali você poderá expressar-se e louvar a Deus com singeleza de coração.

Vejam algumas fotos abaixo: Fotos: Rosicler Ribeiro Passos
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Igrejas promovem vale-tudo

Igrejas promovem vale-tudo para conectar-se com os jovens

R.M. Schneiderman
Em Memphis (EUA)
Deborah Weinberg

Em uma sala de ensaio do teatro da rua Beale, o pastor John Renken, 42, recentemente puxou uma oração com um grupo de jovens: “Agradecemos por esta noite. Que seja uma representação do Senhor”.

Uma hora depois, um membro de seu rebanho que havia baixado a cabeça em sinal de respeito estava dando uma chuva de socos em um oponente. As orientações de Renken não eram exatamente delicadas.
Diego Sanchez, lutador de artes cristãs de Memphis, Tennessee, em dezembro de 2009, durante apresentação de lutas marciais। Várias igrejas evangélicas do estado tem promovido eventos de luta para trair novos adeptos nos Estados Unidos


“Golpeie com força!”, gritava ao lado de um ringue de um evento de artes marciais chamado Gaiola de Ataques. “Termine a luta! Vai na cabeça! Na cabeça!”

O jovem era membro de uma equipe de luta do Ministério Extremo, uma pequena igreja próxima a Nashville que serve também de academia de artes marciais. Renken, que fundou a igreja e a academia também é técnico da equipe. O lema da escola é “Onde os pés, os pulsos e a fé colidem”.

O ministério de Renken faz parte de uma parcela pequena mas crescente de igrejas evangélicas que adotam o vale-tudo -um esporte com fama de violência e sangue que combina vários estilos de luta- para alcançar e converter jovens, cujas participação na igreja tem sido persistentemente baixa. Os eventos de vale tudo atraíram milhões de telespectadores; um deles foi o maior evento pay-per-view de 2009.

O recrutamento nessas igrejas, predominantemente brancas, envolve reuniões para assistir lutas na televisão e palestras que usam os combates para explicar como Cristo lutou pelo que acreditava. Outros ministros vão mais longe, sediando ou participando de eventos ao vivo.

O objetivo, segundo esses pastores, é injetar masculinidade em seus ministérios -e na imagem de Jesus- na esperança de tornar o cristianismo mais atraente. “Amor e compaixão, concordamos com essas coisas também. Mas o que me fez encontrar Cristo foi que Jesus era um lutador”, disse Brandon Beals, 37, pastor da igreja Canyon Creek no subúrbio de Seattle.

O esforço faz parte de um programa mais amplo e mais antigo de alguns ministros que temem que suas igrejas tornaram-se femininas demais, promovendo a gentileza e a compaixão à custa da força e da responsabilidade.

“O homem deve ser o líder do lar. Criamos uma geração de menininhos”, disse Ryan Dobson, 39, pastor e fã do vale tudo que é filho de James C. Dobson, fundador do grupo evangélico proeminente “Foco na Família”.

Esses pastores dizem que o casamento da fé com o combate tem a intenção de promover os valores cristãos, citando versos como “trave a boa luta da fé”, Timóteo 6:12.

Muitos estimam que o número de igrejas que estão adotando as artes marciais está em torno de 700, de um total de 115.000 igrejas evangélicas brancas nos EUA. O esporte é considerado uma ferramenta legítima para alcançar os jovens pela Associação Nacional de Evangélicos, que representa mais de 45.000 igrejas.

“Existem muitos jovens perturbados que cresceram sem pais e estão vagando sem esperança. Eles próprios também são péssimos pais, perdidos”, disse Paul Robie, 54, pastor da igreja comunitária de South Main em Dhackerer, Utah.

A luta como metáfora faz sentido para alguns jovens.

“Estou lutando para fornecer uma qualidade de vida melhor para minha família e dar-lhe coisas que eu não tive quando era pequeno”, disse Mike Thompson, 32, ex-membro de gangue e estudante de Renken que até recentemente era desempregado e hoje luta com o apelido de “A Fúria”.

“Quando aceitei Cristo em minha vida, compreendi que uma pessoa pode lutar pelo bem”, disse Thompson.

Igrejas evangélicas sem denominação têm uma longa história de usar a cultura popular -rock, skate e até ioga- para atingir novos seguidores. Ainda assim, mesmo entre as seitas mais experimentais, o vale tudo têm críticos.

“Aquilo que você usa para atrair as pessoas para Cristo também será aquilo que você vai precisar para manter as pessoas”, disse Eugene Cho, 39, pastor da igreja Quest, uma congregação evangélica em Seattle. “Eu não vivo pelo Jesus que come carne vermelha, bebe cerveja e bate em outros homens.”

Robert Brady, 49, vice-presidente executivo de um grupo evangélico conservador concordou, dizendo que a mistura do vale tudo com o evangelismo “tira tão facilmente o verdadeiro foco da igreja que é o gospel”.

Há quase uma década, o vale tudo era considerado um esporte sangrento, sem regras ou regulamentos. Foi proibido em quase todos os Estados e criticado por políticos como o senador republicano do Arizona John McCain.

Nos últimos cinco anos, contudo, graças a um inteligente marketing do Ultimate Fighting Championship, a principal marca do esporte, o vale tudo se tornou comum. Hoje, é legal e regulamentado em 42 estados.

Seus defensores apontam para um estudo da Universidade Johns Hopkins mostrando que os participantes das lutas sofrem menos nocautes do que os lutadores de boxe.

No último ano e meio, uma sub-cultura evoluiu, com os cristãos das artes marciais vestindo marcas como “Jesus didn’t tap” e redes sociais cristãs como a anointedfighter.com.

Cerca de 100 homens, muitos tatuados e de cabeça raspada, participam das festas de lutas em Canyon Creek, assistindo combates em quatro grandes televisões da igreja. Há vendedores de cachorro-quente e de camisetas com a frase “Predestinado a Lutar”.

Metade dos que estão ali não são membros da igreja, mas vieram por meio de amigos, disse Beals, conhecido como o pastor da luta.

Os homens de 18 a 34 anos estão ausentes das igrejas, disseram os pastores, porque as igrejas se tornaram mais cômodas para mulheres e crianças.

“Crescemos em igreja de tons pastéis. Os homens caíam no sono”, disse Tom Skiles, 37, pastor da igreja Spirit of St. Louis em Montana.

Ao se focar na dureza de Cristo, os líderes evangélicos estão voltando a um movimento similar do início do século passado, dizem os historiadores, quando as mulheres começaram a entrar para força de trabalho. Os proponentes desse cristianismo muscular defendiam o levantamento de peso e outros esportes como forma de expressarem sua masculinidade.

“Toda essa geração foi criada com a idéia que estão em uma guerra pelo coração e alma dos EUA”, disse Stephen Prothero, professor de religião da diversidade Boston.

Paul Burress, capelão e técnico de luta da igreja Batista Victory, em Rochester, disse que o vale tudo dera a seus alunos uma chance de trabalhar de corpo, alma e espírito. “Ganhando ou perdendo, representamos Jesus”, disse ele. “E vencemos na maior parte das vezes.”

Contudo, na noite fria de Memphis, Renken, o pastor dos Ministérios Extremos, assistiu a dois de seus três lutadores apanhando, um quebrando o tornozelo.

O outro, Jesse Johnson, 20, potencial convertido, foi dominado pelo pescoço e decidiu não voltar para casa com os outros membros da igreja. Ele ficou em Memphis bebendo e estejando com amigos ao longo da rua Beale, ponto agitado e cheio de neons da cidade.

do UOL Notícias
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

As Identidades do Metodismo


Vivemos, no tempo presente, uma grave crise de identidade. Pessoas, famílias, povos e nações estão desvinculados de sua "matriz" – sua raiz e sua identidade. Isso ocorre em todos os aspectos e áreas da vida.No contexto religioso, a perda da identidade tem sido algo significadamente marcado por multiplicidade de sinais e práticas. Grande parte do que vemos são cópias, na maioria mal feitas.

João Wesley procurou deixar claro os fundamentos da identidade do movimento metodista. Muitos de seus sermões apresentam marcas indeléveis. Há textos que buscam caracterizar os aspectos básicos daquele que se diz metodista.

Creio que o povo chamado metodista recebeu de Deus uma vocação específica junto ao Corpo de Cristo e da História. Somos chamados a permanecer firmes no caminho da vocação para a qual Deus nos chamou.
No afã de marcar presença, crescer de qualquer forma, além de perder nossa identidade temos "imitado", muito mal, as tendências do povo chamado evangélico, deixando de lado a consciência de nossa vocação e de nossos valores. Valores esses fundamentados na Palavra de Deus, na tradição histórica Wesleyana e seus fundamentos.

Sem me aprofundar em todas as características da identidade, sinalizo as que considero fundamentais. Recordo o posicionamento de nossa Igreja, tal como no Concílio Geral de 1982 quando foi aprovado o que chamamos de Elementos fundamentais da identidade e unidade metodista.

• Somos um povo cuja fé e prática fundamenta-se na Palavra de Deus. Aceitamos os fundamentos de fé enunciados no Credo Apostólico e nos 25 artigos de religião, enfatizados por João Wesley. À luz da Bíblia, refletimos e avaliamos a experiência cristã, a revelação da natureza e a tradição histórica da Igreja.

• A experiência pessoal com Cristo é marca fundamental de nossa fé. Ela é uma experiência dinâmica, contínua e pessoal, não individualista, conferida à luz da palavra e da comunidade de fé.

• O testemunho interno do Espírito Santo testifica em nosso interior que somos filhos de Deus. Cremos na nossa filiação divina, em nossa adoção em Cristo. A presença e o poder do Espírito Santo são fundamentais para nós metodistas. Buscamos, antes de tudo, o caráter do Espírito, do que o poder de Deus.

• É nossa marca uma vida disciplinada, nutrida pela palavra, tanto no âmbito individual como comunitário, expresso na vida de piedade, intimidade para com Deus por meio da palavra, da oração, do jejum, da vigília, dos meios de graça, vivenciados na comunidade da fé. Buscamos o caminho da santificação fundamentada em Cristo: santificação pessoal e social. Nesse sentido é fundamental ter, junto à piedade, uma vida fundada em obras de misericórdia.

• Paixão evangelizadora. Wesley vivenciou seu grande amor por Deus e pelo próximo por meio do anúncio do Evangelho. Havia nele uma paixão em testemunhar o extraordinário amor de Deus.

• Compromisso com o bem-estar total da pessoa: espiritual, física, psicológica e social. Esse compromisso é uma decorrência da experiência pessoal da salvação com Cristo e uma expressão da santificação. Significa um contínuo crescimento na graça e no amor de Deus e na relação de amor com o próximo.

• Sacerdócio Universal de todos os crentes. Reconhecemos e enfatizamos o fato de que todo metodista, todo o povo de Deus é chamado a desempenhar os seus dons e ministérios junto da sociedade e da comunidade da fé. Isso significa dar relevância ao que chamamos laicato.

• É básico no metodismo viver não só para si mesmo, mas para Cristo, para o próximo, para o reino e Missão. Temos chamado de conexional a forma de expressar a nossa fé. Cremos que Deus é conexional, pois não vive para si mesmo, mas acolhe, partilha, comunga, oferece aquilo que é e tem para o ser e toda a humanidade.

• Somos Igreja do Senhor, corpo de Cristo, parte da Igreja Universal do Senhor Jesus Cristo. Isso significa que não somos os únicos, mas reconhecemos o nosso lugar no Corpo da Igreja e também reconhecemos o lugar e a missão de outras comunidades cristãs. Nesse sentido, buscamos a comunhão, o diálogo e a cooperação, fundamentados no desejo do Senhor Jesus, em manifestar a unidade do Corpo como testemunho para o mundo. Desse testemunho dependerá a percepção e aceitação da fé. O fundamento básico da fé denominada metodista é a Graça de Deus. O metodismo enfatiza a experiência e a vivência da graça divina por meio da fé receptiva. A graça que nos sensibiliza a fé (preveniente), a graça que nos acolhe em Cristo (justificadora), a graça que nos aperfeiçoa continuamente (santificadora) é uma graça pessoal, não personalista, e comunitária na expressão do amor a Deus, ao seu Reino e ao próximo.

• Como Igreja, somos um Corpo, um organismo vivo, no Espírito. Uma comunidade que adora, crê, cresce, testifica, ama, serve e é terapêutica, semelhante ao que foi e testifica a comunidade apostólica.

• Uma das marcas significativas do metodismo histórico foi a prática da fé. O metodismo é, antes de tudo, um cristianismo prático. Uma vida que leva a sério o comportamento ético. Essa prática é confrontada e confirmada pela Palavra de Deus, tradição, experiência cristã, razão, natureza e comunidade da Igreja. O elemento básico para a constatação e a confirmação dessa vivência é a Palavra de Deus.

• Uma marca característica do metodismo é o equilíbrio. Uma fé em equilíbrio, sem cair nos modismos e nos extremismos dos movimentos e tendências dos tempos passados e do nosso tempo. Equilíbrio entre doutrina e prática; fé e obras, ciência e fé, razão e revelação; lei e graça, santificação pessoal e social, experiência pessoal e santificação; emoção e mente; adoração e compromisso; evangelização e serviço, unidade, diversidade e mutualidade; salvação pessoal e social, liberdade e moral; ética e disciplina; louvor e proclamação da palavra; anúncio e denúncia; Espírito Santo e resposta humana; viver no presente século e expressão da fé escatológica.

Amados irmãos e irmãs, poderíamos continuar a sinalizar alguns aspectos de nossa identidade. Wesley dizia que o metodista é caracterizado por um contínuo sentimento de gratidão; em tudo ele dá graças. Também dizia: pregar a doutrina, a prática e a disciplina evita o legalismo, o individualismo, o formalismo e o emocionalismo. Onde prevaleceu o equilíbrio foi onde mais frutificou a graça.

Que a graça do Senhor e a ação do Espírito nos ajudem, no contexto da religiosidade do hoje, tão confuso, místico e mágico, a vivenciar e testificar a respeito dos fundamentos básicos de nossa fé wes1eyna, não perdendo a nossa identidade fundamental e testificando-a junto da comunidade cristã e social.

Bispo Nelson Luiz Campos Leite
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Você sabe o que está falando?



É muito comum encontrarmos palavras de origem judaica ou grega em nossas igrejas। Elas estão em nomes de bandas, grupos de teatro, programas de rádio, publicações. Nada mais natural. Essas palavras nos lembram nossas origens: a fé dos patriarcas, profetas e apóstolos, lugares onde Jesus viveu, os primeiros tempos do cristianismo. Só que nem sempre sabemos exatamente qual a origem e significado das palavras que usamos. Por isso, pedimos a colaboração do professor de grego e hebraico bíblicos Edson de Faria Francisco, autor do livro “Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético”. Membro da Igreja Metodista em Vila Planalto, São Bernardo do Campo, Edson dá aulas Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo. Querido pelos alunos, que admiram sua dedicação ao trabalho, ele foi homenageado pelos formandos de 2006, que deram seu nome à turma do matutino. O professor Edson gentilmente fez uma pausa no desenvolvimento de sua tese de doutorado para nos preparar um pequeno glossário das palavras de origem hebraica, grega e aramaica (uma língua semelhante ao hebraico, o idioma falado por Jesus) mais utilizadas pelos evangélicos. Você vai se surpreender com alguns termos. Você sabia, por exemplo, que shekinah não é um termo bíblico, mas uma palavra hebraica que só aparece no Talmude, livro de orientação doutrinária do judaísmo? Saiba mais:

Termos Hebraicos:
shekinah (shekhinah): habitação, morada, presença de Deus। Termo hebraico não bíblico e que somente aparece no Talmude (séc। III-VI d.C.).
shabat (shabbat): dia de descanso, sábado.
aleluia (hallelu ya): louvai ao Senhor, aleluia.
amém (’amen): certamente, assim seja, amém.
Adonai (’adonay): meu Senhor, Senhor. É título divino, normalmente usado em substituição ao nome pessoal não pronunciável de Deus (YHWH).
YHWH: nome pessoal de Deus, não sendo pronunciado. Os títulos substitutos são Adonay (Senhor) e também Ha-Shem (o Nome). As quatro letras consoantes do nome de Deus são conhecidas como tetragrama.
Jeová (yehowah): forma híbrida surgida por volta do século XV por hebraístas cristãos para designar o nome pessoal de Deus. O nome é composto com as consoantes de YHWH e com as vogais de Adonay, sendo o resultado de uma leitura inusitada feita por hebraístas cristãos do nome divino em textos bíblicos hebraicos medievais. A forma Jeová nunca foi usada pelos judeus.
Yahweh ou Javé (yahweh): forma hipotética e reconstruída para o nome pessoal de Deus, numa tentativa de resgatar a sua pronúncia provável nos tempos bíblicos. Tal forma é preferida e é usada principalmente pelos especialistas em Bíblia. Como Jeová, tal forma também nunca foi usada pelos judeus.
Elohim, El (’elohim): Deus। É um título divino comum।
El Shaday (’el shadday): Deus que amamenta? Deus das mamas? É um antigo título divino, da época dos patriarcas bíblicos, que normalmente é traduzido como Deus Todo-poderoso, Onipotente.

El Elion (’el ‘elion): Deus das alturas? É um antigo título divino, da época dos patriarcas bíblicos, que normalmente é traduzido como Deus Altíssimo.
jireh (yr’eh): verá, assistirá, observará.
Peniel (peni’el): face de Deus.
Ebenézer (’even ha‘ezer): pedra da ajuda.
Horebe (horev): significado incerto.
shalom (shalom): paz, prosperidade, felicidade, tranqüilidade, serenidade, bem-estar.
kadosh (kadosh): santo, sacro, consagrado, sacrossanto.
messias (mashiah): ungido, consagrado, untado, messias.

Termos Gregos:
logos (lógos): palavra, discurso, dito.
koinonia (koinonía): comunhão, relação, colaboração, cooperação.
rhema (rêma): palavra, dito, enunciado.
eclésia (ekklesía): assembléia, igreja.
sinagoga (sünagogé): assembléia, reunião, sinagoga.
evangelho (euangélion): boa nova, boa notícia, evangelho.
Cristo (khristós): ungido, untado, Cristo.
eucaristia (eukharistía): gratidão, reconhecimento, agradecimento, eucaristia.
apóstolo (apóstolos): enviado, apóstolo.
presbítero (presb?teros): mais antigo, mais velho, maior, presbítero.
bispo (epískopos): inspetor, supervisor, bispo.
diácono (diákonos): servente, servo, diácono.
anjo (ánngelos): mensageiro, anunciador, anjo.
teos (theós): Deus, deus.
Alfa (álpha): alfa, a primeira letra do alfabeto grego.
ômega (ôméga): ômega, a última letra do alfabeto grego.
Termos Aramaicos:
maranata
(maran ’ata’): o Senhor nosso vem.
aba (’abba’): pai, antepassado, progenitor.
tallita qumi (tallita’ qumi): menina, levante-se.
Gólgota (golggoltta’ ou gulggullta’): caveira, crânio।

Fonte: www.metodista.org.br
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