sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Igreja de nudistas? Xiiii...

Jamais pensei que isso iria acontecer algum dia, mas... Vejam o que foi publicado no site do G1 essa semana.

Igreja nos EUA faz cultos para nudistas
Até o pastor reza como veio ao mundo na igreja, no estado da Virgínia.
Igreja de nudistas no estado americano da Virgínia. (Foto: BBC)
Da BBC
Uma igreja no Estado americano da Virginia (nordeste dos Estados Unidos) está causando polêmica ao receber fiéis nus. Até o pastor celebra o culto como veio ao mundo.

Na capela de Whitetail - uma comunidade nudista fundada em 1984, na cidade de Ivor, roupas são um item opcional.

"Eu não acredito que Deus se importe com a maneira como você se veste quando você faz suas orações. O negócio é fazer as orações", diz Richard Foley, um dos frequentadores.

Assista o vídeo abaixo:


Mas, entre os que não fazem parte da congregação, a ideia de uma igreja nudista não agrada muito. Várias pessoas ouvidas nas ruas de Ivor se surpreenderam e disseram achar o conceito de uma igreja nudista desrespeitoso.

O pastor Allen Parker discorda: "Jesus estava nu em momentos fundamentais de sua vida. Quando ele nasceu estava nu, quando foi crucificado estava nu e quando ressuscitou, ele deixou suas roupas sobre o túmulo e estava nu. Se Deus nos fez deste jeito, como isso pode ser errado?"

Lucro
A comunidade nudista de Whitetail vai de vento em popa apesar dos tempos de crise. Segundo a administração do resort, mais de dez mil pessoas visitaram o local no último ano e os lucros subiram 12% no período.

Os visitantes dizem que ser nudista é algo libertador. Para eles, em um ambiente como este não há julgamento de classe social e todos ficam livres para ser quem realmente são.

Além disso, o clima seria de igualdade. Um frequentador exemplificou isso dizendo que, na comunidade, não é possível dizer quem está desempregado, quem é alto-executivo e quem é encanador.

"Aqui, todos participam, todos são compreensivos e preocupados com a comunidade e com a família. Temos uma das congregações mais ativas da região. Eu considero isso um presente de Deus e um privilégio", disse o pastor Parker.
Fontes:G1 e BBC via Blog do Genizah
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Os passos da juventude...


Os passos da juventude na bíblia, nas origens metodistas, no contexto brasileiro e norte-americano.
Pr. José Geraldo Magalhães Júnior[1]
1 Na Bíblia[2]
Impossível mencionar sobre a juventude, sem citar a Bíblia. O livro de Juízes no capítulo 6, versos 11 a 16 nos relata a história do jovem Gideão. A Bíblia o descreve como um varão valoroso, que viveu em uma época difícil para o povo de Israel (vs.1-6). Foi um período de servidão dos israelitas aos medianitas, que por sua vez, era um povo que conhecia outros deuses (v.2). Deus interessado em resolver a situação do povo de Israel, envia um anjo a falar com Gideão, quando ele trabalhava no campo de seu pai (v.11). O anjo disse-lhe: “O Senhor é contigo, varão valoroso. Mas Gideão responde dizendo: Mas se o Senhor é conosco, por que nos aconteceu todo este mal?” (v.12s).

Não é de surpreender a preocupação de Gideão, pois muitas vezes também é a nossa. Se Deus está conosco, por que todas essas dificuldades diante do povo? Será que Deus olha somente para uns e esquece-se de outros? Mas Deus nos surpreende em sua resposta. O texto continua com a resposta de Deus: “Vai, nesta tua força, e livrarás a Israel da mão dos midianitas” (v.14). Um dos aspectos interessantes desse texto está exatamente em Deus ver que Gideão tinha em si força para livrar seu povo. Deus estava trazendo para Gideão a solução para o problema do seu povo, como prova inequívoca de que Deus ainda era com eles.

A juventude é a força motriz das sociedades. E Gideão não fugiu à regra: jovem que era, foi chamado para libertar seu povo. “Vai nesta tua força.” Deus estava se referindo na força espiritual, força interior. Deus viu em Gideão a FÉ. Uma fé que traz mudanças, uma fé capaz de remover montanhas. Provavelmente foi isto que Deus viu em Gideão, e que continua vendo na juventude de todo o mundo, aliás, também nas mulheres e homens de uma maneira geral.

Deus viu em Gideão fé e coragem moral de dizer NÃO à corrupção, à violência, às drogas, ao sexo irresponsável e às injustiças. Será que na juventude de hoje, existe essa mesma força? A juventude é esperança para um mundo mais livre, justo e igualitário, pois a nossa fé pode impregnar a humanidade com tais valores. No entanto, é preciso desenvolver essa fé; aumentar o conhecimento para que, o percurso da vida, às vezes nada agradável, não ofusque as convicções de mudança.

A Bíblia é palavra de Deus que, se faz esperança àqueles(as) que se encontram sem uma perspectiva de vida. Jesus deixa um exemplo claro para os discípulos, que estavam sem visão, sem rumo, no caminho de Emaús (Lc 24:13-35). Jesus se faz próximo, escuta a tristeza dos dois homens que caminhavam cabisbaixos. Uma pergunta do nada: “que é isto que vos preocupa à medida que caminhais?”, em contrapartida, uma resposta de perplexidade: “És o único que estando em Jerusalém ignoras as ocorrências desses últimos dias?” (17-18). Jesus escutou (19-24) e em contra-resposta, surge o convite inesperado: “fica conosco” (29). A conversa que fez aqueles homens enxergarem foi ao redor da mesa: na eucaristia, no partir do pão! Jesus se faz próximo dos sem identidade, pergunta pela vida, escuta, relembra a história, renova o compromisso com a fé na vida e, sobretudo, reinstala a prática da partilha.
A Bíblia fornece vários exemplos, onde a juventude é vocacionada de uma maneira especial por Deus. O chamado vocacional, tanto no AT como no NT, acontece em muitos casos a pessoas jovens ainda. Por exemplo: Jacó (Gn 28.13-17), Moisés (Ex 3.1 a 4.17), Samuel (ISm 3.1-21), Isaías (Is 6), Jeremias que disse não passar de uma criança (Jr 1.6), Rute (Rt 1.16), Maria (Lc 1.26-38) entre vários outros. No entanto, é preciso destacar a vocação do jovem Timóteo, que viveu uma realidade parecida com a nossa. Primeiramente porque ele conheceu Jesus através de Paulo, não pessoalmente; tal qual é também a nossa experiência. Em segundo lugar, ele tinha um relacionamento com a igreja de mais perto e, nessa época a mesma começava a configurar-se em dons e ministérios. E por último, Timóteo foi um discípulo de Paulo sendo considerado seu próprio filho (I Co 4.17 e Fp 2.19-20). Portanto, fiel a Deus e a missão[3].

1.1 Em nossas origens: John Wesley e o movimento metodista[4]
"Se teu coração é como meu, dá-me tua mão.” - John Wesley
Trabalhadores cumprindo uma carga horária de 16 horas por dia, um país que estava atravessando uma tamanha crise social. Eram mineiros e operários trabalhando por um salário de fome e miséria. Não pára por aí, havia também milhares de crianças trabalhando e morrendo de chagas e frio. Por outro lado, a nobreza, aquela que estava dominando os menos favorecidos, dominando-os com um único objetivo: que a classe desprotegida e pobre, fosse os meios de produção da nobreza.
Essa era a Inglaterra no século XVIII. As classes populares eram grosseiras e ignorantes e desordenadas, pois havia herdado as agitações políticas do século anterior, com isso uma elevada tendência aos alvoroços. Mas não era somente isso, Mateo Lelièvre[5], ao escrever sobre a vida e obra de John Waley, ele descreve sobre a classe popular:
O vício e a embriaguez era notório no meio da classe popular. Meio século depois de ter sido introduzido o gim, os ingleses consumiam mais de 30 milhões de litros por ano. Nos cartazes à entrada das tabernas, as pessoas eram convidadas a entrar e embebedar-se por duas moedas e a beber até cair no chão por quatro; e recebiam gratuitamente a palha para dormirem. Os vendedores de gim costumavam levar ao sótão os que ficavam embriagados, sem possibilidade de caminhar, para dormirem até passar a crise do álcool. Não se podia andar pelas ruas de Londres sem se encontrar com seres abjetos, inertes e desacordados no chão; só a caridade dos transeuntes os salvava de morrer afogados na lama ou esmagados pelas rodas das carruagens.
No ano de 1736 uma em cada seis casas de Londres era uma taberna. O governo tentou proibir a venda do gim, mas em todas as partes da Inglaterra havia um comércio clandestino organizado, onde, seus representantes jogavam no rio aqueles que se atreviam a denunciar. Essa atitude era tão ameaçadora, que o governo teve que revogar a lei.
Assim, em um contexto de exploração e crise social na Inglaterra surgiu o Movimento Metodista. Aconteceu na Universidade de Oxford. Um grupo de estudantes preocupados com aquela situação vivenciada na Inglaterra, sob a liderança dos irmãos e John e Carlos Wesley, passaram a se reunir para a prática da piedade cristã. Eles realizavam leituras da Bíblia, oravam, jejuavam e visitavam os presos e doentes.
João Wesley nunca teve a intenção de deixar sua igreja para fundar outra, mas iniciou uma prática, com o objetivo de renovar o espírito cristão daqueles que participavam da religião oficial que era o anglicanismo. Seus métodos e práticas levaram o grupo a ser conhecido como "Clube Santo". Eles tinham uma identidade, por exemplo: dias fixos para praticar o jejum, hora certa de ler a Bíblia, orar, uma vez na semana separavam o dinheiro do lanche para ajudar aqueles que precisavam, entre outras. Com isso, esse grupo foi apelidado de “Metodistas”, ou seja, aqueles que seguem um método.
A expressão criada por João Wesley: “O Povo Chamado Metodista”, ecoa até hoje! Uma comunidade religiosa representada em mais de cem países, os metodistas segue o pensamento de Martinho Lutero, o líder da Reforma Protestante do século XVI.
John Wesley[6] nasceu no ano de 1703 numa pequena cidade da Inglaterra, Epworth, onde seu pai, Rev. Samuel Wesley era pastor e, sua mãe Suzana Wesley filha de pastor. Talvez por essa razão, tornou-se clérico da Igreja Anglicana. Aos 11 anos, Wesley foi estudar em uma escola pública de Londres como aluno interno: a Charterhouse. Não demorou muito para adquirir grande conhecimento no latim e grego. Isso o beneficiou muito, para seu ingresso aos 17 anos na Universidade de Oxford, onde concluiu seus estudos teológicos e decidiu pelo ministério pastoral.
Apesar de grande conhecimento em Bíblia, pois lia os originais em hebraico e grego, ele tinha uma dificuldade que era uma carência espiritual. Sua igreja era um pouco fria e não desafiava às pessoas a mudarem de vida. Daí a procura de resolver sua carência espiritual sendo missionário na América. Lá ele passou mais de dois anos, embora sem sucesso, mas, para o Rev. Duncan A. Reily, as diversas ocorrências durante esse período justificam a designação da Geórgia como um “momento decisivo” para o metodismo. Reily cita em “Momentos Decisivos do Metodismo”[7], o saldo de dois anos e a frustração de Wesley registrado em seu diário em 24 de janeiro de 1738, poucos dias antes de retornar à Inglaterra:
Fui à América para converter os índios; mas quem, ó quem, se converterá a mim? Quem ou o que me livrará desse coração discrente? Eu tenho uma bela religião de verão. Posso andar bem, e até crer, quando nenhum perigo está perto. Mas quando me encontro cara a cara com a morte o meu espírito fica conturbado. Não posso declarar o morrer é lucro.

Chegando à Inglaterra, um líder moraviano, Pedro Bolher, deu vários conselhos para Wesley. Conhecidos pela grande confiança em Deus e na Graça redentora de Jesus Cristo, os moravianos, em muitas oportunidades de conversas com Wesley, convenceram-no a receber a graça e o perdão, ou seja, uma das bases teológicas do Movimento Metodista: a fé salvadora.
Para ter acesso ao artigo completo, ou seja, os Jovens no ínicio do metodismo, a juventude na igreja metodista e no contexto norte-americano início do Movimento Metodista, Na Igreja Metodista e no Contexto Norte-americano CLIQUE AQUI para baixá-lo em PDF.
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[1] Pastor metodista em Vila Planalto, São Bernardo do Campo, SP. Para o exercício de 2010 foi nomeado pelo Colégio Episcopal para juntar-se a equipe de Assessoria de Comunicação da Igreja Metodista em São Paulo.
[2] Bíblia Sagrada / Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2ª ed. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
[3] Pastoral da Juventude IVRE. Sonhos e Esperanças no Caminho: Reflexões para o desenvolvimento de uma Pastoral da Juventude Metodista. Belo Horizonte, 2000. pg. 64.
[4] REILY, Duncan Alexander. A influência do metodismo na reforma social na Inglaterra no século XVIII. Junta Geral de Acão Social da Ig. Metod., 1953. 18pg
[5] LELIÈVRE, Mateo. João Wesley sua Vida e Obra. 1ª ed. São Paulo, 1997, pg.13.
[6] http://www.metodista.org.br/ . Pesquisa on-line realizada no dia 10/10/2007.
[7] REILY, D. Alexander. Momentos Decisivos do Metodismo. São Paulo, Imprensa Metodista, 1991. (Col. Metodismo).

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Direitos Humanos - PNDH-3


Declaração do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3
Como metodistas, em nosso Credo Social afirmamos que cremos que “a verdadeira segurança e ordem sociais só se alcançam na medida em que todos os recursos técnicos e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana, na efetiva justiça social”,[1] pelo que “adotamos a Declaração Universal dos Direitos Humanos”.[2]

A Declaração Universal dos Direitos Humanos compromete-nos com princípios, dentre os quais muitos se encontram no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH - 3). Neste sentido valorizamos a iniciativa do governo em aperfeiçoá-lo, a fim de que os princípios estabelecidos na lei sejam reconhecidos na vida social de maneira efetiva. Preciosos avanços são constatados no PNDH-3.

Expressamos, ao mesmo tempo, nossa preocupação e desacordo com alguns itens deste Programa que se contrapõe ao que cremos ser o melhor para a promoção da vida. “Seja a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”(Jesus em Mateus 5.37) Nesta direção nos unimos a outros pronunciamentos, por entender que se faz necessário discernir melhor temas como os ligados à famí­lia, sexualidade e religiosidade, de forma a considerar de maneira significativa os valores essenciais do Evangelho e dos Direitos Humanos.
Esta é a nossa percepção neste momento em que muitas vozes se levantam diante do PNDH-3. São Paulo, 18 de fevereiro de 2010.
BISPO JOÃO CARLOS LOPES Presidente do Colégio Episcopal da Igreja Metodista
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1. Credo Social da Igreja Metodista, II.10b, em Cânones 2007, São Paulo, 2007, p. 51
2. Credo Social da Igreja Metodista, IV. 4, em Cânones 2007, São Paulo, 2007, p. 55


FONTE: www.metodista.org.br
Conheça o PNDH-3 CLICANDO AQUI!

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Ética Ecológica


DUSSEL, Enrique. Por um mundo diferente: alternativas para o mercado global. Petrópolis: Vozes, 2003. Capítulo 2 “Alguns princípios para uma ética ecológica material de libertação” – relações entre a vida na terra e a humanidade”. pp.23-35.

Conhecido na América Latina por suas obras nos campos da História da Igreja e da Ética, Enrique Dussel, é um argentino que vive no méxico há várias décadas. Teólogo católico leigo, escreveu vários artigos e livros nessas duas áreas, realizando seus estudos em várias universidades da europa e doutorou-se em Paris, na França.
Este artigo de Enrique Dussel está situado numa perspectiva de uma Ética da libertação. Para o autor a Terra não pode ser destruída, mas sim a vida que nela está contida. “A vida é condição absoluta da existência humana, e por isso a Vida da Terra se chama condição ampliada. Na realidade, a terra não pode ser destruída, nem tampouco a Natureza (...) o que nela pode ser destruída são as condições para a existência da Vida” (p.25). Neste caso, entende-se que a Vida pode ser destruída na Terra.
O autor interpreta a ética material como a ética da vida e, sobretudo, ele assume a ética material que “é necessária, mas não suficiente”; e a moral formal que “é necessária, mas tampouco suficiente” dentro de um processo crítico libertador em um movimento social, histórico e diacrônico. Nesse sentido, o autor afirma que:
Isto têm a máxima atualidade, porque a destruição ecológica (como condição de possibilidade) e a pobreza (como efeito) são dois fenômenos correlacionados que têm uma mesma causa e, ambos exigem uma compreensão material e, simultaneamente, a mediação da consensualidade formal e comunitária. (p. 26).
Podemos perceber então, que a ética ecológica tem a ver com a defesa da vida, fica situada de tal forma que não poderá ser satisfatoriamente fundamentada. Assim, Dussel aponta que a tradição dualista, “de decidida negação da determinação material da ética, o cuidado angustioso, para conservar a vida não tem significado ético-moral algum; a ética é considerada apenas como mero egoísmo ou motivação patológica ou caprichosa” (p.27).
O autor afirma ainda que é preciso recuperar a referência material, uma vez que, tais fatos só podem ser descobertos por contradição ou não-cumprimento. Por essa razão, é necessário reconstruir a verdade de uma ética material e articulá-la a uma moral formal, “tendo como horizonte a destruição ecológica da terra articulada concomitantemente com a miséria, a pobreza, a opressão da maioria da humanidade (levando-se em consideração fenômenos tais como o capitalismo central e periférico, o racismo, o machismo etc.)” (p.27). Por isso a passagem de Mateus “tive fome e me destes de comer (Mt 25.35) inclui exigências de ética material: a fome é um tipo de sensação e dor, e a comida é fruto do trabalho e da terra”. (p.27). “A dimensão ecológica ficaria assim definida material (como condição absoluta de sobre-vivência) e formalmente (como é preciso decidir intersubjetivamente no plano privado e público, nacional ou internacionalmente) (p.28).
Dussel realiza uma última reflexão material embasado em Karl Marx. Diz o autor que “Marx é considerado por muitos um economista ‘antropocêntrico’ sem sensibilidade ecológica. Podemos, contudo, recordar a esse respeito um texto de 1875:” (p.28) Vejamos:
Primeira parte do parágrafo [do programa de Gotha afirma]: O trabalho é a fonte (Quelle) de toda riqueza e de toda cultura. O trabalho não é a fonte de toda riqueza – começa a explicar a Marx. A natureza é a fonte de toda riqueza é a fonte dos valores de uso (que são os que realmente integram a riqueza material!), precisamente o trabalho, que não é senão a manifestação de uma força natural, da força de trabalho do homem. (p.28).
Nesta citação acima, Marx quis dizer que somente dois níveis da realidade não têm valor de mudança (econômica), ou seja, a natureza e o ser humano. “O que o ser humano procura honestamente é um sistema cultural vigente, um bem que é válido, ecologicamente sustentável (que deve ser conteúdo ético material e mediação racional consensual formal)” (p.30).
Dussel afirma que o capitalismo atual, segundo a visão de Marx, com seu critério fundamental de “aumento de taxa de lucro”, implicitamente propõe o seguinte princípio: “Aquele que age segundo o critério do “aumento da taxa de lucro” já propôs sempre a priori que nem o princípio ético material da sobre-vivência nem o princípio moral formal de consensualidade podem ser obstáculos ou limites para a obtenção desta finalidade”. (p.32).
Assim, entende-se que “o critério de taxa de lucro” se opõe ao critério de sobre-vivência; portanto, a tecnologia destrutiva da vida ou da terra e, conseqüentemente da humanidade, é usada instrumentalmente no critério ‘“do aumento da taxa de lucro’, e não com base no critério material da ‘permanência e desenvolvimento da vida’, da terra (ecologia) e da sobre-vivência da humanidade”. (p.33).
Por último, Dussel destaca que “um projeto de libertação ecológica da terra deve saber integrar os princípios materiais da ética, a consensualidade formal comunitária da mútua consciência, com o processo diacrônico co-solidário de toda a humanidade” (p.35). Neste caso, “as Igrejas são um desses últimos ‘recursos’ éticos dessa humanidade, como comunidade de comunicação moral que cria intersubjetividade responsável na leitura e releitura do Texto revelado, insubstituível na hora atual” (p.35). Uma das condições que o Reino de Deus inclui para que haja possibilidade de Vida na Terra, é a vida da Humanidade, ou seja, é preciso mudanças e um novo caminhar.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Desafio do Mundo Moderno


Resenha do capítulo IV Fundamentos da Ética Cristã: O Desafio do Mundo Moderno

O presente artigo trata da questão da ética cristã a partir do no século XVI que, era obrigada a confrontar dois grandes desafios: os novos modos e possibilidades de conhecimento; e a noção generalizada a qual os valores fundamentais da vida só podiam ser determinados pela razão, livre da tutela da revelação. Do ponto de vista da razão, quase tudo que o cristianismo afirmava sobre Deus e a vida humana era inevitável e, portanto, duvidoso.
Já no século XVIII a ética cristã passou por uma fase de retratação frente ao avanço das tendências racionalistas e procurou simplesmente preservar certo respeito às classes superiores. Nessa mesma época, essas classes estavam empenhadas em criar um novo sistema políco-econômico: a sociedade industrial, que revelaria um total desrespeito a dignidade humana.
Os séculos XIX e XX foram fecundos em realizações e teorias em todos os setores da vida humana. No entanto, quanto ao seu progresso moral da sociedade humana, foi ambivalente e contraditório.
Hoje o conhecimento do mundo natural é imenso e continua crescendo; mas a possibilidade de destruirmos a nós mesmos e o planeta Terra é mais real do que nunca. O desafio que o mundo moderno lança a fé e a vida cristã é contundente e incontornável. Neste caso, é uma prova de fogo para que a ética cristã redefina suas verdadeiras prioridades.
O autor afirma que a partir do interesse pelas ciências, que Descartes escreveu o Discurso sobre o método, publicado em 1637, para expor seu modo de pesquisa da verdade. Apesar de reconhecer a importância da experiência científica, o interesse primordial de Descartes não era estudar o universo como tal, mas a maneira como método científico, objetivo, permite acesso ao conhecimento da realidade.
Descartes argumenta em favor de certo ceticismo básico como condição preliminar da reflexão sobre a realidade. Propõe que toda investigação seja acompanhada de “dúvida metódica” e que a reflexão seja feita somente na base daquilo que for incontestavelmente certo e acima de dúvida.
Na opinião de Descartes, somente dessa forma, se poderia avançar, por meio de sucessivas deduções, até se chegar a um conhecimento mais profundo da realidade. Portanto, Descartes, constata que em qualquer percepção do mundo requer não somente experiência sensorial, mas também reflexão.
Já em 1748 o filósofo escocês David Hume publicou Ensaio sobre a compreensão humana, que ele se coloca na posição de uma pessoa razoável e cordata que deseja honestamente saber se os frutos do seu pensamento podem ser considerados conhecimento seguro. Hume rejeita o método cartesiano.
Hume, então, propunha um método mais simples para desencravar a filosofia moral: admitir que todas as nossas idéias dependessem de sensações ou de lembranças de sensações; são parcas reproduções da realidade.
Na filosofia de Hume, fica evidente seu desinteresse em experimentos científicos. Ele não esperava que esses contribuíssem para ampliar o conhecimento humano. Hume subestimava a importância da pesquisa como meio de se chegar à certeza científica. Hume, como afirma J. R. Lucas, acreditava que o ser humano apenas desempenhava um papel passivo no processo do conhecimento. Ele não leva em conta que é preciso agir, fazer certas coisas, para descobrir conexões de causalidade no mundo que nos envolve e especialmente entender o que pode ser verdade e o que não pode.
Apesar disso os argumentos de Hume causaram um impacto definitivo na maneira de pensar do nosso tempo. O nosso raciocínio sobre as realidades do mundo não traz nenhuma garantia de certeza absoluta; e que a razão humana não pode fornecer um fundamento absoluto para as afirmações da ciência, e muito menos da moral da religião. Nesse sentido, Hume foi quem estabeleceu, segundo o autor, a relatividade do pensamento moderno.
Em sua conclusão, o autor defende a idéia que vários avanços da ciência física levantam inevitavelmente duas questões que tem óbvias implicações teológicas e éticas. Uma é saber se ainda faz sentido falar de ordem no universo, e outra se o universo encerra algum significado personalista.
A primeira questão merece uma resposta afirmativa. O princípio da incerteza, ou da casualidade, não compromete a ordem do universo, embora a torne mais complexa. Alguns cientistas assinalam que, a partir dos primeiros instantes da expansão do universo, as energias em jogo teriam de operar em limites muito rígidos se um dia a vida inteligente deveria surgir.
É verdade que a ordem do universo é ao mesmo tempo complexa e bela. Se nosso conhecimento atual do universo físico comporta a idéia da livre cooperação de seres racionais com um suposto desígnio criativo superior, que noção de Deus isso implica? Nesse sentido, o autor enfatiza o falar de um universo governado por um Deus pessoal.
Por outro lado, segundo o autor, há pelo menos um teólogo de envergadura que pensa o contrário: James M. Gustafson, que consagrou a maior parte de sua vida à ética teológica, chegou à conclusão que os cristãos ainda não levam suficientemente a sério aquilo que hoje conhecemos sobre a realidade do universo e, que continuamos a usar a Palavra de Deus como referência aos poderes do universo que consideramos necessário para explicar a existência humana.
Existe, no entanto, [afirma o autor] uma alternativa radical à posição de Gustafson: não há nada ilógico em imaginar um relacionamento entre Deus e o universo, e afirmar que todos os fatos do universo são resultado direto da vontade criadora de Deus, que o universo como um todo existe em virtude dessa vontade e que cada movimento ou impulso no universo opera segundo essa vontade.
Tal linha de pensamento não seria não seria necessariamente determinista desde que se leve em conta que a vontade divina inclui também a liberdade dos seres humanos; e nem seria panteísta, no sentido de identificação entre Deus e a Criação, considerando-se que o Deus que exerce sua vontade absoluta na criação permanece senhor da criação.
Este pensamento nos permite afirmar que, se a vida humana tem um propósito, ele só faz sentido no quadro geral do propósito de Deus para a criação como um todo; ou teologicamente, se a vida obedece a um propósito redentor, este só fará sentido se a vida estiver em um propósito de redenção.
Obviamente que o autor enfatiza ao dizer isso, uma afirmação de fé, articulada da perspectiva de uma teologia da salvação em Cristo, ou seja, à luz de uma experiência salvífica pessoal. Somente a experiência da redenção pessoal pode corroborar de que a redenção é também o alvo de toda a criação.

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