sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Acidente em Mina no Chile

Presidente do Chile reitera que irá investigar os responsáveis pelo acidente na mina
Essa foi uma semana histórica para todo o mundo. Os olhos da maioria estavam voltados para a história sobre os 33 mineiros que saíram vivos, depois de ficarem dois meses presos na mina de cobre e ouro, em São José, no Chile. Mesmo com o cenário positivo, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, reiterou que vai investigar o ocorrido. Segundo ele, é fundamental apurar o que houve e punir os responsáveis.

O acidente ocorreu no dia 5 de agosto, em uma mina localizada perto da cidade de Copiapó.Os mineiros trabalhavam a uma profundidade de cerca de 700 metros quando uma rocha desabou. Desde então, as autoridades chilenas não mediram esforços para resgatá-los, mesmo em meio a uma série de dificuldades geradas pelo terreno, pela vegetação e pelas condições climáticas da região.

Piñera fala dos próximos passos
Logo na primeira semana em que aconteceu o acidente o presidente Sebastián Piñera demitiu altas autoridades da agência reguladora do setor de mineração do Chile e prometeu uma grande reforma por causa do acidente na pequena mina de ouro e cobre, a 450 quilômetros da capital, Santiago.
Desde o início, Piñera deixou claro seu posicionamento: "Temos dito que, nesta matéria, não haverá impunidade, e eu quero enfatizar que as investigações, em matéria penal e civil já começaram, e nós vamos investigar as responsabilidades e punir os culpados", disse Piñera.
Segundo estatísticas, acidentes graves de mineração são raros no Chile, mas o governo disse que a mina de San José, que pertence à empresa privada local Compania Minera San Esteban Primera, já sofreu uma série de acidentes e 16 trabalhadores já morreram no local nos últimos anos.

Problemas
No início de agosto, a equipe técnica responsável pelo resgate dos mineiros já levantava  alguns questionamentos sobre o funcionamento da mina, que já tinha sido fechada três anos atrás por problemas de segurança.
Anton Hraste, ex-diretor regional do Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin) --que fiscaliza o trabalho de mineração-- disse que a jazida "nunca devia ter sido reaberta", depois que seu fechamento foi determinado em 2007 após a morte de um trabalhador.Em 2006, outro mineiro já tinha morrido trabalhando e no começo deste ano um trabalhador sofreu um acidente grave no qual perdeu uma das pernas.
O promotor Sabas Chahuán ordenou uma investigação para esclarecer como aconteceu o desmoronamento que deixou os 33 mineiros presos.
Só este ano, morreram 31 pessoas em acidentes de mineração, segundo dados oficiais do Sernageomin. De janeiro do ano 2000 a julho de 2010, faleceram em acidentes 403 mineiros no Chile.

Donos de mina no Chile vão responder a ação penal
A esposa de um dos 33 mineiros soterrados já anunciou que a família apresentará uma ação penal contra os donos do local e o organismo público que fiscaliza a segurança. "Não estou pensando na recompensa monetária, estou pensando nas pessoas responsáveis, não apenas os donos da mina, mas também as pessoas que não fizeram seu trabalho de fiscalizar", disse Carolina Narváez, esposa do mineiro Raúl Bustos, sobre as motivações do processo.
A demanda será apresentada contra dois sócios donos da empresa San Esteban, proprietária da jazida San José, onde no dia 5 de agosto um desabamento sepultou os trabalhadores vivos. Os empresários serão acusados de lesões, informou o advogado Remberto Valdés.
A ação judicial também inclui o Serviço Nacional de Mineração e Minas (Sernageomin), que autorizou a reabertura da mina um ano depois de um acidente com um trabalhador em 2007. O Sernageomin será acusado de prevaricação por "ter divulgado, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina San José", que havia sido fechada no ano anterior, disse Valdés.
Por Diana Gilli com informações da BBC News e Agência Brasil
Continue Reading...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Religião: chave para dialogar com o povo - Frei Betto

Uma das principais referências da teologia da libertação no Brasil e com larga trajetória de lutador social ocupa lugar privilegiado para versar sobre o tema. Não por acaso, seu livro "Fidel e a Religião" (1986) teve importante papel, segundo próprio bispo cubano, para "tirar o medo dos cristãos e o preconceito dos comunistas". Indubitavelmente, a reconciliação entre a Igreja Católica e o governo revolucionário cubano deve algo a Frei Betto.

No Brasil, militante dominicano desde sua juventude na época da ditadura (1964-1985), contribuiu para a realização de acontecimentos históricos. Entre eles a fundação do Partido dos Trabalhadores, o PT, governo do qual chegou a formar parte em seu início com a eleição de Lula a presidência da república, em 2002.

Política, religião e comunicação. Na entrevista que segue Frei Betto, recorre a esses três pilares para nos deixar sua impressão sobre o atual momento político por que passa a América Latina.

- Como frei dominicano e militante junto às bases populares na época da ditadura brasileira, como avalia a importância da Igreja Católica para as lutas sociais na América Latina, especialmente no combate às ditaduras que assolaram a região durante a década de 60? De lá para cá, mudou o perfil da atuação social da Igreja?

- Nos anos 1960 e 1980 a Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano II e pela conferência episcopal latino-americana em Medellín (1968), teve papel preponderante nas lutas sociais na América Latina. Através das Comunidades Eclesiais de Base e do advento da Teologia da Libertação, decorrentes da "opção pelos pobres", muitos militantes foram formados pela Igreja segundo o método Paulo Freire. Em países sob ditadura, como Brasil e Nicarágua, essa formação resultou em opção revolucionária. Diria que, de certo modo, as eleições recentes de Lula, Correa, Evo, Funes e outros têm a ver com esse processo pastoral. Com o pontificado de João Paulo II e a queda do Muro de Berlim, iniciou-se a "vaticanização" da Igreja latino-americana. A Teologia da Libertação foi censurada; os bispos progressistas afastados; padres conservadores nomeados bispos etc. Hoje a Igreja Católica, embora abrigando grupos progressistas comprometidos com as causas populares, reflui na opção pelos pobres e busca situar-se numa suposta neutralidade frente aos conflitos sociais.

- Qual a ponte entre o cristianismo e a luta armada?
- Hoje, na América Latina, a luta armada só interessa a dois setores: fabricantes de armas e extrema direita. Governos como Lula, Chavez, Mujica etc demonstram ser possível realizar reformas estruturais pelas vias pacífica e democrática. Porém, a questão da relação cristianismo e luta armada está, em tese, equacionada desde o século XIII por meu confrade Tomás de Aquino. Em caso de opressão prolongada e sem outro recurso para se evitar um mal maior fora da resistência armada, então esta é justa e legítima. Nos anos 1960 e 80 isso se aplicava a países da América Latina sob ditaduras, o que explica os testemunhos de Frei Tito de Alencar Lima, Camilo Torres e tantos outros cristãos que participaram da luta armada. Esse mesmo princípio tomista levou João Paulo II a comemorar os 50 anos da vitória da resistência europeia contra o nazifascismo. E, como sabemos, a resistência atuou com armas.

- As lutas sociais latino-americanas incorporaram símbolos e princípios do catolicismo (como a Nossa Senhora de Guadalupe no México, as místicas do MST, etc.). É possível falar em alguma luta que seja genuinamente popular na América latina e que desconsidere a força do catolicismo e da religião?

- Que eu saiba não há nenhuma força política progressista na América Latina que apregoe o ateísmo e seja anti-religiosa. Desde que Fidel acentuou, na entrevista que lhe fiz em 1985 (livro "Fidel e a Religião") a importância da religião como fator de libertação, o preconceito praticamente terminou. Jamais haverá participação popular nos processos políticos latino-americanos sem incorporar a religiosidade do povo. Aqui a porta da razão é o coração e a chave do coração é a religião.

- Considerando essas questões, como interpretar o caso da revolução cubana? Como avalia a situação por que passa o país hoje?

- A Revolução cubana incorporou os valores religiosos do povo, tanto que teve líderes assumidamente cristãos, como Frank Pais e José Antonio Echeverría, bem como capelão, o padre Guillermo Sardiñas, que após a vitória mereceu o título de Comandante da Revolução. Hoje Cuba passa por um período de excelentes relações entre Igreja e Estado, a ponto deste permitir que a Igreja Católica faça a mediação que possibilita a libertação de presos de consciência.

- Que papel os movimentos sociais desempenham hoje na política latinoamericana? No Brasil, pode-se dizer que foram a maior herança de resistência e organização da época da ditadura?

- Sem os movimentos sociais a América Latina não estaria vivendo essa primavera democrática representada por Lula, Chávez, Funes, Mujica, Evo, Correa, Lugo etc. No entanto, ocorre hoje um refluxo dos movimentos sociais, muitas vezes porque suas lideranças foram cooptadas para aqueles governos. A queda do Muro de Berlim, a influência do neoliberalismo e das novas tecnologias, o advento da pós-modernidade, são alguns dos fatores que explicam a desmobilização dos movimentos sociais, embora alguns permaneçam ativos, como o movimento indígena e, no caso do Brasil, o MST. O movimento indígena, graças à eleição de Evo Morales, o primeiro indígena presidente, ganha autoestima e, devido ao tema ambiental estar em pauta, também relevância, sobretudo na proposta do BEM VIVER, nos ensinando que devemos aprender a considerar o necessário como suficiente.


- Quanto aos governos com origem na esquerda partidária e nos movimentos sociais que vêm se consolidando no cenário latinoamericano, é possível classificá-los como governos de esquerda?

- Não, são governos progressistas e, alguns, como é o caso da Venezuela, até explicitam o socialismo como projeto político. Mas também estão longe de serem governos de direita ou conservadores. Dentro de possibilidades reais, e não ideais, atuam em favor dos mais pobres e, sobretudo, desarticulam o poder político das oligarquias tradicionais, embora elas prossigam com muito poder econômico.

- Tendo acompanhado o partido e colaborado com o PT desde sua fundação, como o senhor avalia os 8 anos de governo Lula em relação à proposta inicial do partido? Como o senhor define sua relação atualmente com o PT e com Lula?

- Lula fez o melhor governo de toda a história republicana do Brasil. Permitiu que 19 milhões de pessoas saíssem da miséria. Estabilizou a economia. Mas não fez nenhum reforma estrutural e nem qualificou a saúde e a educação. Escrevi dois livros de avaliação do governo Lula: A MOSCA AZUL e CALENDÁRIO DO PODER (editora Rocco). Apesar das limitações, penso que é importante dar continuidade do governo do PT.

- Como jornalista e escritor, qual o papel da comunicação para a transformação social? A comunicação ainda é o Quarto Poder? Como enfrentar esse poder?

- A comunicação não é mais o quarto poder, é o primeiro. Vide o papel do marketing eleitoral nas campanhas políticas. Ocorre que os grandes veículos de comunicação se encontram em mãos da elite conservadora. Um dos desafios a serem enfrentados pelos setores progressistas é o de encontrar alternativas à comunicação controlada pelos monopólios poderosos.

- Esteve preso por 4 anos. Como essa experiência interferiu na sua vontade de lutar contra a ditadura e as injustiças sociais?

- Ao contrário, foi a minha militância por justiça social e contra a ditadura que me levou à prisão. Esta apenas reforçou minha decisão de estar sempre ao lado dos oprimidos, ainda que aparentemente eles não tenham razão.

- O senhor já escreveu mais de 50 livros, em quantas línguas já foi traduzido? Qual dos seus livros recomenda para nossos leitores que queiram conhecer melhor o Frei Betto?

- Minhas obras já foram traduzidas em 32 idiomas e 23 países. Para o leitor latinoamericano sugiro obras em espanhol editadas em Cuba: Fidel y la religión; La obra del artista - una visión holística del Universo; Un hambre llamado Jesús (novela). E deve sair em breve La mosca azul.

(Publicado em Brasil de Fato, Edição 394 - de 16 a 22 de setembro 2010)
Continue Reading...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dr. Eddie Fox conta um pouco de sua trajetória


O melhor evangelista de todos os tempos cedeu uma entrevista ao Expositor Cristão e disse que não pensa tão cedo em aposentadoria.


O Expositor Cristão entrevistou com exclusividade o Dr. H. Eddie Fox durante sua passagem pelo Brasil (17 a 24 de agosto). Fox ministrou no Seminário Metodista Internacional de Evangelização, promovido pelo Instituto Mundial de Evangelização da Igreja Metodista.


Dr. H. Eddie Fox tem atuado desde 1989 como Diretor de Evangelismo Mundial, o Conselho Metodista Mundial e como o Diretor Executivo (1992) do Instituto Metodista de Evangelismo Mundial. Ele é responsável por liderar 16 Secretarias Regionais de Evangelismo Mundial no desenvolvimento de evangelização indígena em todos os continentes.


As pessoas lhe conhecem como o melhor evangelista da Igreja Metodista. Qual é o seu sentimento sobre isso?


Bom, eu penso que esse é um comentário que as pessoas fazem, talvez seja porque eu seja um dos mais conhecidos. Eu tenho tido o privilégio nesta igreja de estar com o nosso povo em vários países. Então eu realmente conheço o povo metodista e eles me conhecem. E isso é muito, muito maravilhoso. Poder dividir o Evangelho com as pessoas pelo mundo inteiro. Por exemplo, aqui no Brasil, eu não sei quantas vezes já estive aqui, mas é um lugar muito especial em meu coração. Eu já estive em São Paulo, claro, Manaus e no Rio de Janeiro um monte de vezes.



Você está no comando de 16 Secretarias Regionais de Evangelismo Mundial no desenvolvimento de evangelização indígena em todos os continentes. Como é esse trabalho?


Nós criamos uma rede de liderança pelo mundo. Três são da África, três da Europa, três da Ásia, três da Oceania, três das Américas e na América do Sul, quem comanda é o bispo Paulo Lockmann e está servindo de forma maravilhosa. Ele é muito capacitado. Ele com certeza é um dos maiores líderes que nós temos no mundo todo. Essas 16 secretarias se encontram ano a ano para planejar como irmãos os próximos trabalhos no mundo todo, afinal de contas o Metodismo trata-se de duas coisas: uma obra e uma família.



Então a melhor notícia ainda é Jesus Cristo?


Nós acreditamos que Jesus é a Boa Nova e que o Cristianismo tem a ver com Cristo e nós estamos aqui para compartilhar essa boa notícia, especialmente para os mais jovens. Nós acabamos de ter uma Conferência de Evangelismo na Coreia e nós tivemos a presença de 450 jovens na faixa de 20 anos. Tivemos a presença de pessoas jovens de 43 países diferentes. Foi uma tremenda experiência e pessoas foram salvas.


Eu fico tão empolgado quando vejo esses jovens adultos interessados em pregar as Boas Novas e em Jesus Cristo. Eu e eles somos realmente apaixonados por Jesus e por esse trabalho.



Você pensa em aposentadoria?


Aposentadoria não está na Bíblia. Você não tem esse tipo de assunto lá. Eu me sinto tão bem fazendo o que faço. Claro que eu nem sempre terei uma disposição física, mas eu sempre serei uma testemunha sobre o que Jesus Cristo fez na minha vida. Enquanto eu tiver fôlego, eu pregarei a todos sobre a salvação. Eu usarei minha boca para pregar as boas novas.


Diana Gilli e José Geraldo Magalhães Jr.
Foto arte: José Geraldo Magalhães Jr.

Fonte: Expositor Cristão / setembro 2010 / p.14
Continue Reading...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O "Sim" de Deus

Por José Geraldo Magalhães Jr.

Ontem, 21, aconteceu no Espaço Metodista 24h, o culto Evangelístico com a participação de membros de várias Igrejas. Na ocasião, evangelistas, pastores e pastoras realizaram às 15h, nas proximidades da Rua Major Diogo, o evangelismo pessoal convidando pessoas para o culto da noite às 19h30. A mensagem com o Dr. Eddie Fox (na foto acima a direita, e o intérprete, Dr. L. Wesley de Souza à esquerda) impactou várias pessoas que visitaram e decidiram entregar suas vidas à Jesus.

Fox leu o texto de II Co 1.18-22 e enfatizou em sua mensagem que “em Cristo Jesus, todas as promessas de Deus tem um sim anexado. Eu não prego para uma decisão, Deus é quem decidiu e a resposta é sim. Não votamos isso nos Concílios Gerais, essa parte não é negociável”. Com seu jeito bem humorado, Fox contou a seguinte parábola: “Três caipiras iam para um Seminário e quando chegaram ao hotel não tinham suas reservas. Mas como? Eles pagaram antecipado e não realizaram suas reservas? Eles falaram, então, com o gerente do hotel. A organização do seminário chegou seguinte conclusão: ‘vamos colocar esses três caipiras na Suíte Presidencial’, que ficava no 50º andar. Na suíte eles encontraram, TV’s grandes, lustres, comida de toda qualidade, banheiros com hidromassagem... Não conformados, eles ligaram para as esposas e disseram: ‘nós estamos bem. Estamos na Suíte Presidencial’.

Depois que ligaram para as esposas, eles resolveram sair para dançar e se divertirem na noite. Ao retornarem ao hotel, o porteiro disse aos caipiras: ‘Não tenho uma notícia muito boa para dar a vocês. O elevador quebrou, mas tenho duas opções: ou vocês podem dormir aqui na recepção ou terão que ir pelas escadas mesmo’. Eles olharam um para o outro e disseram juntos: ‘pelas escadas’.

Um deles teve uma brilhante idéia: o primeiro iria contar piadas até o 17º andar; o segundo iria contar histórias de horror do 18º até o 34º andar e, por fim, o terceiro iria contar histórias tristes até o 50º. Tudo estava indo bem! Eles riram bastante até o 17º, sentiram medo até o 34º e também ficaram tristes, mas quando estavam no último andar, o terceiro caipira disse: ‘para terminar vou contar essa última que é pequenininha, mas é boa... ESQUECI A CHAVE LÁ EM BAIXO’”.

Fox, além de arrancar risos dos congressistas, enfatizou que “a chave tem nome e é Emanuel, Messias, Jesus e Senhor. A história mais triste hoje em São Paulo é ter esquecido a chave quando as pessoas vão para suas casas. As pessoas gostam da graça, mas não gostam da verdade. Em Cristo Jesus todas as promessas de Deus têm um sim. A última promessa de Jesus feita aos discípulos foi pedir que eles voltassem para Jerusalém e aguardassem a descida do Espírito Santo”. E completou: “Se a Igreja Metodista no Brasil é viva, ela precisa estar aberta para o poder e unção do Espírito Santo de Deus. Sem unção não há testemunho e conversão”.

O Dr. Fox também compartilhou sua experiência vivenciada em Cuba, pois a Igreja Metodista se multiplicou em apenas 10 anos. O governo cubano não queria que os metodistas construíssem templos. “Então a solução foi construir casas para os irmãos se reunirem. Eles tem 900 casas que são utilizadas para as reuniões e cultos”. Certo pastor, também telefonou para Fox solicitando ajuda para comprar bicicletas para os pastores usarem em suas visitas pastorais. “Consegui 500 bicicletas e a maioria delas foi doada às crianças. Fui, então, convidado para ir à Cuba no Natal para dedicar as bicicletas. Primeiro demos um nome: evangebyke. Tive que procurar muito para encontrar um texto bíblico que falasse de bicicletas. Meu texto foi o de Ezequiel: ‘O Espírito está nas rodas’”, disse arrancando risos da plenária. Segundo Fox, essa história também foi contada na BBC de Londres. Ele conta que “o Espírito esta nas rodas, mas também nos pastores e pastoras, nos leigos e leigas e por isso eu oro para que o Espírito de Deus habite em você” finalizou.
Continue Reading...

domingo, 4 de julho de 2010

Estresse no ministério pastoral. Como evitar?

Quem nunca teve um dia de estresse no trabalho? Quando este tema vira rotina e os sintomas se tornam crônicos é preciso ficar em alerta. Quando o assunto é o estresse em clérigos(as) é mais grave ainda porque estes se sentem responsáveis por uma gama de atividades e funções. Quando não dá para desempenhar todas as funções, automaticamente surge a cobrança pessoal. Se o trabalho se transforma em um tormento, você pode estar sofrendo a Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico causado por esgotamento físico e mental intenso associado ao trabalho. Isso sugere que quem tem esse tipo de estresse sente-se consumido física e emocionalmente, e começa a apresentar comportamento agressivo e irritado.
A matéria que você está lendo se refere ao estresse na vida dos clérigos(as). Para tal, a redação do Expositor procurou o psicólogo e pastor, Cesar Roberto Pinheiro que fez seu mestrado na PUC – Campinas. O pastor Cesar entrevistou 74 pastores(as) da 3ª Região Eclesiástica para chegar aos dados precisos do nível de estresse em clérigos(as) metodistas. O resultado do nível de estresse das pessoas pesquisadas foi maior, percentualmente, que o nível da população de São Paulo, ou seja, 50 por cento para os pastores(as) e 35 por cento para São Paulo. Isso é preocupante! Também procuramos o pastor e psicólogo, Josias Pereira, que tem uma ampla experiência em psicologia clínica e pastoral e, por fim, o ex-professor titular da faculdade de teologia e pastor aposentado, Rev. Ronaldo Sathler Rosa, por agregar uma larga experiência na área do cuidado pastoral.
Na pesquisa realizada pelo pastor Cesar, ele identifica que os pastores em geral têm uma grande dificuldade para lidar com esse tipo de tensão, pois o trabalho pastoral “constituiui-se em um dos mais polêmicos da sociedade, exigindo um conjunto de qualidades e responsabilidades às vezes, muito acima do que é exigido em outras profissões como, por exemplo: integridade ética e moral; equilíbrio emocional em todos os momentos; conduta exemplar; conhecimento em diversas áreas (musical, administrativa, legal, relacional); dedicação exclusiva; proximidade relacional (costuma-se dizer no meio eclesial metodista que ‘o pastor/a precisa ser um amigo/a’); saúde física plena (‘o/a pastor/a não pode ficar doente’); e senso de empatia”.
O serviço pastoral, então, gera estresse? Ao citar alguns pesquisadores da área do estresse ocupacional, Cesar Pinheiro, afirma que “qualquer tipo de trabalho possui agentes potencialmente estressores para o indivíduo”. Nesse sentido, “o trabalho pastoral também está sujeito ao estresse. Os dados obtidos indicam que 50 por cento da população pastoral metodista [dentre 74 clérigos(as) entrevistadas], tende a estressar-se no exercício do ministério. Este percentual obtido é sobremaneira elevado, considerando-se dados de pesquisas recentes sobre o tema. De acordo com o estudo realizado pela Dra. Marilda Lipp, do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos de Stress, da PUC-Campinas, a média do nível de stress na cidade de São Paulo é de 35 por cento. Logo a presença de estresse na amostra pesquisada encontra-se significativamente acima da média da população geral de São Paulo, e isto é muito preocupante”. Vale ressaltar, também, a orientação do psicólogo Josias Pereira: “uma pessoa estressada afeta as outras com as quais convive dispersando o seu mal estar entre os demais, pois o relacionamento inter e intrapessoal é altamente afetado”, portanto, o estresse pode interferir no lar.

Período mais estressante
Para Cesar o período mais estressante no ministério está entre os primeiros cinco anos. Ele afirma: “De acordo com minha pesquisa, os primeiros 5 anos do ministério pastoral tendem a ser os mais estressantes. Dentre a amostra estudada, 50 por cento relatou que os primeiros cinco anos foram os mais estressantes no ministério pastoral. Cabe destacarmos ainda que a parte do grupo (17 por cento) referiu o período entre 6 e 10 anos como o mais estressante do seu ministério”. Para Josias Pereira, sua experiência pastoral e psicológica indica que não é somente no início do ministério que o estresse atinge o pastor(a), mas também quando se aproxima da aposentadoria: “a rigor não podemos definir no início do ministério, pois tudo depende muito das condições pessoais e circunstanciais, bem como das contingências. No entanto, a experiência indica que é mais provável nos primeiros anos de ministério e nas proximidades da aposentadoria, talvez pela insegurança do porvir, que também se apresentam com freqüência em outras atividades”, e acrescenta: “quanto maior convicção do chamado divino, menor é o risco de estresses, pois o principal fator determinante são os conflitos de valores, embora esteja sempre inconsciente, pois quando conscientizados os sintomas podem a ser resolvidos”.
Também nesse sentido é reveladora a pesquisa de Roseli Margareta K. de Oliveira que aponta em sua dissertação de mestrado, numa pesquisa envolvendo 38 pastores da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) que, o nível de estresse está presente nos primeiros cinco anos do ministério, inclusive alguns dos pastores entrevistados pela pesquisadora, já se encontram com a síndrome de Burnout, ou como define o psicólogo Josias Pereira, “o esgotamento nervoso”. Se você é uma pessoa extremamente exigente e perfeccionista e que não mede esforços para atingir bons resultados, é preciso tomar cuidado, pois essas pessoas são as mais vulneráveis à síndrome.

Sintomas com maior frequência
Os sintomas mais presentes de acordo com Cesar Pinheiro são definidos da seguinte forma: “sintomas físicos, por exemplo, dores de cabeça, boca seca, tensão muscular entre outras; sintomas psicológicos: ansiedade, vontade de fugir de tudo, hipersensibilidade emotiva...; sintomas físico-psicológicos (quando os anteriores estão presentes). Desta forma ao verificarmos a prevalência de sintomas, descobrimos que 48,65 por cento do grupo com estresse, apresentou sintomas psicológicos (com predominância entre as mulheres), 37,84 por cento, sintomas físicos e 13,51 por cento, estavam entre aqueles com ambos os sintomas. Um detalhe significativo é que, dentre as mulheres participantes da pesquisa, o segmento das clérigas casadas revelou maior índice de estresse (78,5 por cento) em relação às clérigas solteiras (45,45 por cento)”.
Para Josias Pereira pode-se considerar “os sintomas em função de suas conseqüências, isto é, há manifestações somáticas que são graves, porém, não apresentam urgência, pois suas conseqüências ocorrem a longo prazo, tais como fenômenos digestivos ou dermatológicos e outros tantos. Já as agudas são as crises circulatórias ou cardíacas, são os casos de AVC’s (acidente vascular cerebral, isto é, derrame cerebral ou infarto cerebral) que exigem atendimento com muita urgência, pois qualquer demora pode ser fatal”. Entretanto, ressalta o pastor, “é bom saber que para todos estes casos a prevenção ainda é o melhor remédio”.

Principais estressores ocupacionais em clérigos(as)
A pesquisa realizada pelo psicólogo Cesar Pinheiro revela dados surpreendentes, pois os maiores estressores em clérigos(as), os três mais importantes foram: “preocupação com a educação dos filhos frente às mudanças de residência; ter que sujeitar ao processo de nomeação pastoral e, por fim, ter que negociar os subsídios pastorais com a administração da Igreja”. Além do mais, as mulheres casadas tiveram um maior índice de estresse, possivelmente, “por estar relacionada aos múltiplos papéis sociais que elas precisam assumir, principalmente com respeito à vida pessoal”, conclui Cesar.
Acúmulo de funções também pode ser uma fonte de estresse, pois mesmo que a pessoa dê conta de realizar os trabalhos que lhe são designados, “quando ele não é reconhecido, a satisfação acaba se transformando em compulsão. Isso leva ao esgotamento, depressão ou transtornos ansiosos", como define a psicóloga Fernanda Elpes Nakao em uma entrevista na Revista Vida e Saúde em setembro de 2009.

Dicas de como prevenir o estresse
Existem meios de prevenir o estresse? O pesquisador Cesar Pinheiro dá algumas dicas: “É preciso considerar alguns aspectos importantes no controle e prevenção do estresse: alimentação, descanso, exercícios físicos, apoio psicológico e o cuidado pastoral”. Cesar afirma, ainda, que “a fé é um aliado poderoso no processo de enfrentamento do stress”.
O professor Ronaldo Sathler Rosa afirma que “a prática rotineira de atividades físicas, devidamente orientadas e ajustadas à condição particular de cada um, é fator positivo para a eliminação de cansaços desproporcionais e para o equilíbrio da personalidade. A vida sedentária atinge, obviamente, o humor, a vitalidade, e pode comprometer o exercício prudente e responsivo do ministério pastoral”. O professor lembra ainda que “em nossa cultura brasileira os homens, em geral, não dão muita importância ao aspecto preventivo para o seu próprio bem-estar integral. O ‘cuidar de si’, tanto corretiva como preventivamente, é condição para ‘cuidar de outrem’ por meio do cuidado pastoral”.
Sathler conclui que outro fator que contribui para que não se dê maior atenção à saúde entre pastores, “é a ausência de uma Teologia da Saúde: a saúde considerada como inserida na mensagem cristã da salvação. Não se restringe, portanto, às curas das patologias individuais e da sociedade. A mensagem da salvação visa à criação de novo modo de vida, de renovação da mente, de novas atitudes em linha com os ensinamentos das Escrituras. Uma causa provável da pouca atenção da teologia sobre a saúde, deve-se à ênfase unilateral na ‘união da alma com Deus’. O corpo, é, então, ignorado. Sofre a alma com o corpo danificado; sofre o corpo com a alma ferida!”.

Algumas regrinhas básicas para evitar o estresse:
Peça ajuda para resolver os problemas; fragilidades? Não tenha medo ou receio de expô-las; repense se você é uma pessoa perfeccionista. Ninguém consegue ser perfeito em tudo e controlar todas as situações; jamais se sobrecarregue, delegue funções; mantenha organizada sua rotina de trabalho, como por exemplo, horários para ler e responder e-mail’s, estudo, visitação, separe a sua folga pastoral para a família; desfrute do lazer, atividade física e vida social. Enfim, a vida de qualquer pessoa, independente de ser clérigo(a) ou não, precisa de um equilíbrio entre o prazer e as obrigações. Essa seria, em nossa conclusão, o segredo para uma vida saudável, tanto pastoralmente profissional como pessoal.

Pr. José Geraldo Magalhães Jr.

Publicada em Expositor Cristão / Julho 2010 p. 8 e 9.
Continue Reading...
 

Reflexões pastorais Copyright © 2009 WoodMag is Designed by Ipietoon for Free Blogger Template